Quinta-feira, 7 de Julho de 2011
por João Maria Condeixa, em 7/7/11

Só agora que somos "lixo" é que a União Europeia se lembrou de ajudar a reciclar a nossa imagem. O ecofundamentalismo do costume.


publicado por João Maria Condeixa às 10:16
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Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011
por João Maria Condeixa, em 28/2/11

Vim a ouvir a TSF no carro a caminho do escritório. Quem falava era Teixeira dos Santos sobre os mercados e a dívida pública. Dizia que os mercados só pressionam a UE porque descobriram um calcanhar d'Aquiles que é a esta não possuir "mecanismos europeus de intervenção, de natureza federalista, como possuem os EUA". Que existem Estados Norte-Americanos em praticamente solvência, mas que ninguém os pressiona, por pertencerem a um bolo federal com mecanismos maiores que lhes permite essa defesa. E disse ainda que os mercados estão a exagerar agora, quando, em contra-ponto, tinham ignorado e adiado os sinais de crise.

 

O senhor que fez esta acusação foi aquele que descobriu a crise há meia dúzia de dias e que a negou até há bem pouco tempo, lembram-se? E pertence ao mesmo grupo daqueles que dizem temer a vinda do FMI por questões de ordem da soberania portuguesa.

Acatar ordens de uma instituição externa durante uns tempos é perigosíssimo e vergonhoso, mas ir, paulatinamente, transferindo poderes e instrumentos de gestão para a UE, até a tornar numa federação, já é um imperativo político. E o senhor nem se riu, garanto-vos eu, que estava a ouvir com atenção à espera desse momento. É preciso ter lata!


PS- a TSF faz 23 anos. Parabéns!

PS II - parece que também ainda teve tempo para prometer nova subida de impostos!


publicado por João Maria Condeixa às 12:01
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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010
por João Maria Condeixa, em 15/9/10

Prova de que o Tratado de Lisboa aproximou as instituições dos cidadãos europeus é esta conversa passada num banco perto de si:

 

- ...  e no estrangeiro, pago taxas sobre os levantamentos feitos em ATM?

- Depende onde for.

- Em Bruxelas, por exemplo.

- Deixe-me só confirmar se fica na União Europeia...em que país é, que eu agora não estou a ver? - perguntou a bancária.

- Na Bélgica! - respondeu a rapariga contendo o riso.

- Sim dá. Bélgica fica na União Europeia e como vê - nisto rodou o monitor XPTO - paga taxa zero!


publicado por João Maria Condeixa às 09:15
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Quinta-feira, 6 de Maio de 2010
por João Maria Condeixa, em 6/5/10

 

A propósito deste último post, em que a imagem espelha apenas um pouco da violência que se vive na Grécia, lembrei-me que a minha geração e a seguinte talvez não estejam preparadas para uma UE falível a este ponto:

Hoje de manhã, à minha frente, seguia um autocarro cheio de putos numa viagem de estudo. Ao contrário da rebaldaria nos bancos de trás e dos pacotes matutano a voar de um flanco para o outro do meu tempo, a maioria estava muito arrumadinha nos seus bancos. Presos às PSP2 e aos telemóveis nem se faziam ouvir cá fora. Para eles a crise ainda não lhes chegou aos ouvidos e ainda bem. Quando tinha a idade deles também andava absorto dos problemas do mundo.

 

Mas lembro-me de alguns detalhes que entretanto se modificaram: a poupança fazia com que o meu almoço viesse sempre cozido pelo termo e que as joelheiras fizessem parte das calças que tinha herdado do meu irmão mais velho. Ninguém andava na rua mascarado de Cristiano Ronaldo miniatura, primeiro porque o bom senso e gosto imperavam, mas sobretudo porque isso significava um custo extra para lá do que a mentalidade não consumista permitia.

 

Depois choveram os milhões e milhões da Europa e num abrir e fechar de olhos as mentalidades passaram para um consumismo desenfreado. Vivendo para além das suas posses, de um dia para o outro todos quiseram ser patrões: quantos saíram de fábricas - que tiveram de procurar mão-de-obra estrangeira - para abrirem um café ou outro tipo de serviço? Quantos passaram a comprar tudo o que viam para si e para os filhos com recurso a crédito dourado? Sentiam a necessidade de dar aquilo que não tinham tido sem perceberem que no fundo estavam a entrar na espiral da hipoteca que hoje vivemos. 

O dinheiro chovia e sentiam as costas aquecidas pela União Europeia, mas quem ficou mal habituada foi a minha geração e a seguinte. Daí que diga que talvez não estejamos preparados para um eventual falhanço. Mas e se ela falhar?

 

PS- o resto não pode mesmo ser igual à grécia


publicado por João Maria Condeixa às 13:46
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Sexta-feira, 30 de Abril de 2010
por João Maria Condeixa, em 30/4/10

Experimentem registar um bezerro. Sim, é isso que estão a pensar, experimentem registar um animal cujo o nascimento desperte curiosidade junto da Direcção Geral de Veterinária e da União Europeia. A seguir experimentem registar um bebé, um ser humano pequenino e de pele rosada. O primeiro deu-vos mil vezes mais trabalho, obrigou-vos a recorrer a 3 sítios diferentes, a recolher e preencher diferentes formulários e a prestar declarações anuais para receber uma pequena contribuição, certo? O segundo, que irá morrer muito mais tarde e que faz parte de uma sociedade que se diz organizada e vítima do big-brother e de um permanente voyeurismo, consegue-se registar num simplex piscar de olhos, certo? E porquê?

 

Porque a União Europeia diz que o consumidor tem direito a almejar ser perfeito e saudável e por isso tem de saber tudo e mais alguma coisa sobre o bifinho que virá a cortar a custos controlados. E por isso existe a burocrática e legisladora PAC e a exímia cumpridora DGV Portuguesa.

 

Mas não contentes, agora vão mais longe: dentro em breve será necessário constar, pormenorizadamente, em etiquetas longas, parametrizadas e visíveis, toda a informação sobre a ração que irá alimentar os animais, também conhecidos como, futuro alimento do consumidorzinho-extremamente-saudável. Tudo: composição, fórmula, percentagem, lote e outras infindáveis informações - só não trará quanto deve o fabricante ao fisco -.

Tudo a bem da rastreabilidade e da saúde do consumidor que se quer perfeito, mas que é o mesmo que bebe uma Coca-Cola sem desconfiar do que é feita, com gelo de uma torneira cheia de cloro e outras porcarias e por um limão que também já foi mais torto e irregular ou não se tratasse ele de um produto agrícola. A UE aperta com a agricultura esquecendo que com tanta exigência qualquer dia não há fábrica, agricultor, nem economia que aguente e aí lá se vai o ser humano esbelto e espadaúdo. Fica só magro e atafulhado entre impressos e papeladas.

 

E se fossem regular, minimamente, antes aquilo que deviam e que nos trouxe a esta crise e pusessem, antes, o Vítor Constâncio, aquele que nada regula, neste sector?

 

Como disse alguém acerca destas ideias luminosas: "Isto só lá vai com vasectomias e preservativos. É que há demasiados gajos neste mundo sem nada com que se entreter!"


publicado por João Maria Condeixa às 10:03
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