Desculpem a demora em postar, mas não julguem que fiquei detido ou que fui vítima de carga policial. Isto ainda não chegou a tanto. Fui apenas tomado pela falta de tempo.
Mas adiante, que o tempo continua sob pressão (acho que lhe devem ter colocado uma providência cautelar). A reter da manifestação:
A esquerda e a direita uniram-se, não só nas mais de 9000 assinaturas, mas também numa ida à rua, o que de si espelha muito sobre o descontentamento generalizado que se vive em Portugal, não tanto sobre as políticas (já ninguém se lembra do governo governar) mas mais sobre o desnorte em que se encontra o país e que é agravado diariamente por história rocambolescas de tentáculos maliciosos.
José Sócrates já teve de tudo na rua: professores aos magotes, camionistas de barriga farta, proprietários da bela da fartura, rastafaris e apologistas do homem livre, defensores do casamento gay, doutrinários da família tradicional, funcionários da coisa pública que pela primeira vez não aproveitaram para ir ao Corte Inglés, militares e polícias, cuspidores de fogo, ursos amestrados e, inédito em Portugal, manifestantes de fato, gravata e sapato de berloque. O desfile de personagens pode até parecer para rir, mas tanta diversidade só tem um significado: a desilusão é geral.
Perante quase todos, José Sócrates, recuou. Naqueles que avançou, baralhou e voltou a dar. Assim vai Portugal...
vídeo: fabrico caseiro do 31 da Armada

Um dia ainda vou a uma manifestação pela liberdade de expressão à porta da AR. Hoje é o dia...
A manif pode não mudar o panorama político, mas também não é a isso que se propõe. O seu objectivo principal é exigir um esclarecimento de José Sócrates para que se possa prosseguir a vida política do país e a justiça possa deixar de andar na boca do mundo. O turbilhão tem de assentar e só haverá estabilidade nas instituições se politicamente se esclarecerem todos os zum-zuns. A dúvida resultante do silêncio ou da evasão em nada melhoram o cenário actual.
E a prova de que têm de existir tais declarações, é o unir de esforços blogoesfera fora, tirando raras excepções, algumas que não entendi. Da direita à esquerda todos temem que este tema se venha a agravar e a maioria considera que, mais que enquadrar o assunto judicialmente, importa clarificá-lo politicamente para restabelecer a tranquilidade necessária à política e à justiça.
E o resultado está aí: a direita está excitadíssima com o evento, pois o habitualmente não sai à rua e quando o faz é para ir jantar fora. A esquerda por sua vez encara tudo isto como outra acção rotineira limitando-se a mudar as pilhas aos megafones que ultimamente têm sido bastante usados. Equacionam inclusive a compra de pilhas recarregáveis.
Mas, juntos conseguiram para já mudar a blogoesfera e a actuação que esta tem no dia-a-dia político do país. Resta saber se amanhã mudarão mais qualquer coisa.
E já há tantos dispostos a isso: 31 da Armada; 5Dias; Portugal dos Pequeninos, Vila Forte; Aventar; Insurgente; Clube das Repúblicas Mortas; Tradução Simultanea; Vasco Campilho; Republica do Caustico; Blogue de direita; Blue Lounge; Cachimbo de Magritte; Cocanha; Corta-fitas; Golpe de Estado; Impensável; Impertinências; Impressões de um boticário de província; Inflaccionista; Intervenção Maia; Nortadas; Portugal Contemporâneo; Papa-Açordas; Centenário da República; Vida breve; Correntes; Terra portuguesa; O fio dos dias; Braga maldita; Anabela Magalhães; Cortar da direita; O estado da educação e do resto; Promova; The Braganza Mothers; Le rouge et le noir; Octavio V Gonçalves; ABC do PPM; Dedos em riste; fliscorno; Democracia em Portugal; Vento Sueste; Kl@ndestino; Porta da Loja; Espumadamente; tasquinha; A curva da estrada; A casa dos discus; Palavrossavrvs Rex; Pleitos, apostilhas e comentários; Profblog; Cláudia Köver; Delito de opinião; Gladius; Do Portugal profundo; Estado Sentido; CPGondar; Bomba Inteligente; Pensamentos desblogueados; Ofício diário; Em@; tasquinha; Um jardim no deserto; Adufe; O número primo; Hora absurda; O último pingo; A página do Mário; MUP; Don Vivo; Donatien alphonse françois; Oeiras local; Direito de opinião; Pérola de cultura; Gavajelly;
Trabalho de sapa roubado ao Gabriel Silva do Blasfémias. As assinaturas já passaram as 6000 e a lista continua a crescer... Já se pode pensar em ver discutido o assunto em plenário na AR!
Ontem, perguntavam-me com a maior das naturalidades, como se fosse normal e até expectável, se o meu telefone não estava sob escuta ou se não receava que passasse a estar em resultado de ser, enquanto blogger, um dos promotores do "Todos pela Liberdade".
Ao que eu, feito parvo (só pode) respondi um simples: "achas? Se estiver, azar!" Quando deveria ter respondido, desde logo e prontamente, um convicto:"Ai deles!"
Espelha bem o sentimento em que vive o país. Os portugueses questionam-se se estarão sob escuta, que acções políticas os colocarão sob escuta e que consequências daí poderão resultar. Admitem com naturalidade essa hipótese, quando a deveriam refutar pela raiz!
E o que chove lá fora?
Quiosque da D.Web