
É difícil deter a mão criminosa que pega fogo a uma floresta. É igualmente difícil perceber quem foi que pegou fogo à Justiça e ao país. Mas quer um, quer outro, devem ser punidos pelo acto.
Se no cenário de fogos florestais a falta de meios é uma constante, pelo menos já perceberam que de nada vale apenas berrar quando as chamas já estão a lavrar. Aprenderam a reclamar por antecipação.
Já na justiça, só quando tudo pegou fogo - mesmo quando se julgava não existir mais nada por onde arder - é que vieram berrar por mais meios, mais poder - que isto de ser igual à Rainha de Inglaterra só nas revistas cor-de-rosa tem vantagens - e maior autonomia para alcançar aquilo que eu julgava ser condição prévia para aceitar um cargo desses: real e efectiva separação de poderes. Isso não é sinal de alguma pirómania?
Isto está grave. De tal maneira grave que começo a pensar se não será melhor a Justiça deixar cair antes a venda até ao nível da boca, pois já que não lhe tapa os olhos, ao menos que a impeça de divulgar tanta trapalhada:
O Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, recusou, ao longo dos últimos meses, o acesso aos seus despachos de arquivamento ao crime de atentado contra o Estado de direito no âmbito do caso Face Oculta. O PGR travou o acesso aos documentos porque estes, alegava Pinto Monteiro, continham escutas entre Armando Vara e José Sócrates. Mas aquilo que o “Diário de Notícias” e o “Correio da Manhã” noticiam hoje é que, afinal, em lado algum aparecem as conversas entre Sócrates e Vara nesses documentos.
Pensado bem, deixem-na antes despida de vendas ou mordaças que depois de escutas "ilegais", segredos de Justiça revelados, mentiras ou imprecisões - a cerimónia que eu ainda faço com a nossa Justiça - o melhor é ela clarificar tudo o que sabe.
E o que chove lá fora?
Quiosque da D.Web