É mais independente Garcia Pereira com um partido do que Fernando Nobre sem nenhum.
Pedro Lomba escreveu este artigo, rico no detalhe (ok, até pode ter esquecido outros exemplos) e na análise e sem medo de dogmas. Mas houve quem o acusasse de não ser um puritano da coisa. Vai daí, lança-se, e bem, a Isabel Moreira com uma resposta que me espantou pela nudez de facções (fosse ela assim noutros assuntos) e pela honestidade intelectual com que o fez.
Mas o subjacente, e que Pedro Lomba só levantou o véu, ficou ainda por discutir. O ciclo vicioso, a pescadinha de rabo na boca, que impera nas democracias e nos partidos políticos, da esquerda à direita é este: para conquistar um partido, e se for bafejado pela sorte e a arte, eventualmente, um país, há que começar por baixo, pela conquista de um clã. Mais tarde esse clã alarga-se às bases e com elas conquistadas, e movendo-se nas esferas dos baronatos ou das dinastias (e não falo só do PSD) talvez se chegue à presidência de um partido. Ora, quem lá chega não tem de ser necessariamente mau apenas porque não cheirou a sociedade civil, fora das escolas político-partidárias. Mas é pena, também a meu ver, que não tenha recolhido outras experiências. Mas sejamos honestos, nos dias que correm, onde a pressão e concorrência no mercado de trabalho é imensa, onde a ambição legítima de vingar não dispensa espaço para muitos mais, é expectável que haja tempo e dedicação suficiente para conquistar todo o mundo a montante antes de chegar a presidente de um partido enquanto se trabalha cá fora? Sim, há exemplos dignos desse esforço, dir-me-ão, mas caminhamos para que sejam a moda?
E o que chove lá fora?
Quiosque da D.Web