Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
por João Maria Condeixa, em 10/12/10

A economia agrícola é dos fenómenos mais fascinantes de estudar. Salazar doutorou-se nos fluxos do trigo, Cunhal especializou-se na questão agrária. Mas os parolos dos governantes portugueses de há 20 anos decidiram que não era "cool" investir em Agricultura. Depois do desinvestimento com a reforma agrária dos anos 70 e das políticas de rendimento dos anos 80, com Cavaco a aceitar a iniquidade da subsidiação europeia, ficámos sem agricultura. Hoje, não temos factor trabalho nem capital (a maquinaria está obsoleta), e a produção que sobrou liquidou-se perante a concentração da distribuição. E assim estamos de fora de um dos grandes negócios do século: a alimentação.

 

Portugal não tem dimensão para ser um player internacional como são os exemplos apresentados neste artigo de Pedro Santos Guerreiro. Tem ainda limitações edafo-climáticas que inviabilizam outras comparações. Mas em parte, é bem verdade, o que se passa. Sobretudo a citação que aqui pus.

E mais certezas tive desde que vi no terreno esse exemplo agrícola que é Israel: um micro país, onde em vez de solos há pó, onde em vez de chuva cai Sol e que consegue ser praticamente auto-suficiente em vários produtos alimentares. Portugal não se transforma também num exemplo destes por falta de crença e por ter visto na UE uma bengala eterna. Talvez se vivêssemos também rodeados de inimigos tivéssemos ambicionado e conseguido o mesmo que o Reino de David. O que ganhámos em paz, perdemos em vontade!


publicado por João Maria Condeixa às 17:58
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Sexta-feira, 30 de Abril de 2010
por João Maria Condeixa, em 30/4/10

Experimentem registar um bezerro. Sim, é isso que estão a pensar, experimentem registar um animal cujo o nascimento desperte curiosidade junto da Direcção Geral de Veterinária e da União Europeia. A seguir experimentem registar um bebé, um ser humano pequenino e de pele rosada. O primeiro deu-vos mil vezes mais trabalho, obrigou-vos a recorrer a 3 sítios diferentes, a recolher e preencher diferentes formulários e a prestar declarações anuais para receber uma pequena contribuição, certo? O segundo, que irá morrer muito mais tarde e que faz parte de uma sociedade que se diz organizada e vítima do big-brother e de um permanente voyeurismo, consegue-se registar num simplex piscar de olhos, certo? E porquê?

 

Porque a União Europeia diz que o consumidor tem direito a almejar ser perfeito e saudável e por isso tem de saber tudo e mais alguma coisa sobre o bifinho que virá a cortar a custos controlados. E por isso existe a burocrática e legisladora PAC e a exímia cumpridora DGV Portuguesa.

 

Mas não contentes, agora vão mais longe: dentro em breve será necessário constar, pormenorizadamente, em etiquetas longas, parametrizadas e visíveis, toda a informação sobre a ração que irá alimentar os animais, também conhecidos como, futuro alimento do consumidorzinho-extremamente-saudável. Tudo: composição, fórmula, percentagem, lote e outras infindáveis informações - só não trará quanto deve o fabricante ao fisco -.

Tudo a bem da rastreabilidade e da saúde do consumidor que se quer perfeito, mas que é o mesmo que bebe uma Coca-Cola sem desconfiar do que é feita, com gelo de uma torneira cheia de cloro e outras porcarias e por um limão que também já foi mais torto e irregular ou não se tratasse ele de um produto agrícola. A UE aperta com a agricultura esquecendo que com tanta exigência qualquer dia não há fábrica, agricultor, nem economia que aguente e aí lá se vai o ser humano esbelto e espadaúdo. Fica só magro e atafulhado entre impressos e papeladas.

 

E se fossem regular, minimamente, antes aquilo que deviam e que nos trouxe a esta crise e pusessem, antes, o Vítor Constâncio, aquele que nada regula, neste sector?

 

Como disse alguém acerca destas ideias luminosas: "Isto só lá vai com vasectomias e preservativos. É que há demasiados gajos neste mundo sem nada com que se entreter!"


publicado por João Maria Condeixa às 10:03
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