Ando com medo de escrever posts maiores que este. E se enquanto escrevo o governo cai?
"Os partidos da oposição estão sôfregos" diz Santos Silva. E tem razão. Este PSD ainda só apoiou 3 PECs. Podia muito bem continuar a fazê-lo até o PS não querer governar mais...
Um TGV vale quantas reformas?
Com os reformados a juntarem-se agora à "geração à rasca", os protestos de sábado passam a um 2 em 1: manif + marcha lenta.
A manif de Sábado já mudou de nome. Passou de "geração à rasca" para "gerações à rasca", depois das novas medidas anunciadas hoje pelo governo.
Depois de Cavaco, Sócrates tem mais motivos para ir à manif. "À rasca" e com o lugar mais precário do momento, Sócrates já só pensa em chegar a casa para pintar a faixa com Teixeira dos Santos.
Depois de Cavaco, a moção de censura do bloco pareceu uma história de embalar. Um conto da carochinha para adormecer o menino. Só que o menino despejou a ira do dia anterior em cima de Louçã. Caso contrário, nem se tinha dado por ela!
PS - aquele que disse que esta não era uma moção para ser aprovada pela direita, reclama agora as abstenções. Digam lá se o senhor não é um pândego?

O país está boquiaberto com o discurso duro de Cavaco Silva. Acho até que se o senhor tivesse feito uma página do mesmo, no facebook, teria mais "likes" que a sua página pessoal. Ele bem tinha chamado a atenção que a partir de agora seria diferente, mas pelos vistos os incrédulos - aqueles que estiveram, como eu, 5 anos a vê-lo assistir de camarote, de braços cruzados, ao enterro do país - não quiseram acreditar que faria tal coisa. Ou pelo menos não assim tão de repente.
Foi vê-lo, num misto de aula de finanças e programa de governo, a enterrar o sorriso a Sócrates ao dizer que o comboiozinho de brinquedo dele iria hipotecar o país. Que não havia guita para lho comprar e que o emprego que ele teima em dizer que irá gerar, se evaporará no segundo a seguir. Que o contribuinte não é uma teta sem fundo e que no seu limite - ao contrário do que os boys todos pensam - mora a morte da economia de um país. Que o flagelo do desemprego deverá ser combatido privilegiando políticas que potenciem as empresas - fascista! berrou o PC -, e com iniciativas que criem emprego ou permitam defender postos de trabalho. Que a mentira - acho que Sócrates nunca teve as orelhas tão quentes - tem os dias contados e que há que tomar as opções correctas - ao que o executivo perguntou em uníssono para si como se faria tal coisa -.
De lamentar nesta tarde histórica, só mesmo o facto de não ter acontecido mais cedo e de ter sido guardada, como é apanágio calculista de Cavaco, para o momento político que mais lhe convém e em que a sua liberdade não lhe hipoteca o futuro.
Para nota vinte fica a imagem ao sair da sala, daqueles alunos socialistas, cabisbaixos e enraivecidos, que, sem terem levado boas notas para casa encheram as câmaras de televisão com perdigotos insultuosos ou anedóticos. Até Carlos César apelidou de "demasiado cruel" o discurso do PR. Coitado, logo ele!
Em suma, foi óptimo. O país precisava deste abanão e se não se importam vou para ali rezar por mais. Se ficarem atentos, os mercados amanhã vão reagir bem à coisa, vos garanto...

Efeito regularis a partir do 14º dia. Apesar da entrada ter tido muito pouco de bom, a saída vai ser de facto um alívio..

Efeito regularis a partir do 14º dia.
Sócrates já veio dizer aos portugueses que, apesar de ser contra as ideias do governo, a derrota ontem do Benfica era inevitável e que a culpa é do PSD que assim o exigiu nas negociações!

O governo sofre de dois males para os quais nem o melhor druída deste mundo tem a cura: a falta de noção das suas responsabilidades e competências - insistentemente mantém a presunção de se fazer substituir à economia nas promessas que traça - e a comprovada incapacidade em executar as reformas - que é um defeito de nascença que se agravou com a maioria relativa, facilmente, comprovável através de todos aqueles recuos, derrapagens e reavaliações que até agora só resultaram em nados-mortos -.
Hoje até a maioria do eleitorado português, inclusive aquele que caiu na esparrela da promessa dos 150 000 empregos, sabe e reconhece esses males, pelo que é de estranhar que a senhorita Merkel se constitua refém da ilusão, à imagem da inocência angelical de um PSD em vésperas de PEC. Se fez aquele número de "spin" á la Sócrates para "os mercados" e para consumo interno português, foi porque alguma coisa ganhou em troca. Merkel ganhou poder e um trunfo fatal:
Merkel sabe que residirá na execução das reformas o ponto-chave para Portugal melhorar, mas também sabe que este governo não tem essa capacidade. Ao alertar para isso, basicamente, terá dito: têm tudo para o fazer e contam com todos para dar a volta. Não conseguindo, escusam de vir novamente bater a esta porta.
E Sócrates, por mais um balãozinho de oxigénio hipotecou novamente o país.

"Ah mas a direita também não seria capaz de evitar a escalada do desemprego!"
Falso. Para dar cabo das empresas e do emprego já basta a crise, não é preciso pedir ajuda ao Estado. Mas, ao optar por esta política orçamental o governo escolheu matar a economia, aniquilar o consumo e a procura interna. Preferiu esbulhar por via da receita fiscal os contribuintes apagando os erros e escamoteando a despesa pública pela qual é responsável, sem perceber que o que arrecadava para os cofres do Estado iria sair pelo lado dos apoios ao desempregados a curto e médio prazo e por outros apoios sociais.
Quando, já no limite, as PMEs se deparam com o crédito mais restritivo - também resultante do clima de retracção de que os bancos se previnem - com uma sobrecarga fiscal agravada e uma consequente descida na procura, nada lhes resta muita vezes senão despedir e/ou fechar portas.
Daí que a direita queira poupar as empresas. Pois reconhece que cada uma que "poupa" é, pelo menos, um emprego que salva, um potencial - por microscópica que seja a empresa - motor quer está a preservar para ajudar o país no momento da recuperação e um apoio que o Estado evita dar.
O desemprego seria alto, mas não chegaria aos níveis a que iremos assistir durante o próximo semestre, fosse a direita que estivesse no poder.

O BE quer capitalizar votos à esquerda com a queda do governo, logo não poderá ser aquele que directamente faz cair o poder nas mãos da direita - isto partindo do pressuposto que, qual bola de ping-pong, o poder lá irá voltar -. Mas na verdade também sabe que com este governo a situação está insustentável e que a qualquer momento poderá ruir. Ora como não pode ficar fora da corrida das moções de censura, o BE faz este semi-ultimato para colocar em cheque o PSD, obrigando os sociais-democratas a ficar com a decisão final e com esse ónus e responsabilidade.
O PSD, enquanto principal partido de oposição e vendo a pre-disposição geral do outros partidos, deixará de falar em esquizofrenia política e apresentará a moção de censura - e quando o fizer, o seu conteúdo terá de ser abrangente o suficiente para passar - e o BE poderá dedicar-se por completo à conquista dos votos da esquerda como não tendo sido o partido responsável pela viragem do país à direita, mas sem nunca ter saído da crista da onda!
Foi isto que o BE percebeu. Foi isto que o fez mudar tão repentinamente de ideias.

Enquanto as revoltas não dão a volta ao Mediterrâneo e chegam a Portugal para o povo começar a reclamar uma mudança de rumo - tenho essa leve esperança que isso aconteça antes da vinda do FMI - resta-nos ir assistindo com cara de muito parvos às diarreias que cada um vai tendo sobre o Egipto - também gosto do serviço público que a RTP está a prestar ao chamar-lhe Egito - e os seus restantes vizinhos.
É bom perceber que todos sabem imenso sobre aquela zona do globo e os regimes que por lá se respiram, quando até há bem pouco tempo a Tunísia era apenas uma estância de férias, o Egipto um enorme sarcófago a visitar - que muitos desconheciam ser uma ditadura - e a Jordânia e a Síria meros vizinhos de Israel, um com uma rainha gira e o outro com um armamento digno de registo.
Deixem de se armar em especialistas e em Nuno Rogeiros de segunda categoria - o que tem mais piada é que a maioria até gozava com o seu excesso de opinião antes dele se recolher - e passem antes para os assuntos internos. Ou já se esqueceram que por cá as coisas também estão a arder e que este mês já se começou a sentir a redução salarial e o aumento de impostos, o corte no dinheiro disponível para o consumo e consequente falta de circulação de moeda que, em conjunto com a falta de crédito para as poucas empresas produzirem, rebentará com a nossa saudável economia, tudo para alimentar a monstruosidade de uma despesa que teimosamente continua sem querer emagrecer, enquanto o vosso PM apregoa as 7 maravilhas do seu reinado com todos os ministros de que dispõe aterefados a inaugurarem escolas na tentativa quase alcançada de fazer esquecer os protestos - mais um, but who's counting? - na educação?
Isso, preocupem-se muito com os de fora e qualquer dia temos um a imolar-se na Praça da Figueira e só aí é que se vão lembrar que por cá imperava a ditadura da mentira.
E o que chove lá fora?
Quiosque da D.Web