
Não deixa de ser irónico que a docente responsável pelas disciplina de actividades extra-curriculares de Torre de Dona Chama - sim, eu sei onde fica e já lá estive - tenha sido afastada pelo exercício de uma dita actividade extra-curricular que exerceu com garbo, beleza e um sensual e genuíno par de mamas.
Ao que parece, o bom senso da senhora professora não existiu e não foi capaz de discernir que para manter o respeito dentro e fora da sala de aula - como a profissão o obriga - não poderia pousar tão publica e impudicamente numa revista da especialidade. Agora anda meio mundo intolerante, não à lactose proveniente das glândulas mamárias da menina, mas ao comportamento desviante da dita, mostrando-lhe que ela teve mais a ganhar esquecendo o bom senso e o respeito, do que se tivesse ficado recatada no seu canto de professora a prazo contratada pela autarquia. Não só o protagonismo conquistado com a coisa foi ao píncaros - alguém sabe quem vem na capa da dita revista?- como se arrisca a ganhar um eventual processo judicial por ter sido afastada sem justa causa de uma função que à data de celebração do contrato em nada impedia que fizesse um tipo de trabalho destes.
Melhor para si, só se fosse professora de Religião e Moral, pois por cá, a moral e os bons costumes quando desatam aos gritos e perdem a sensibilidade no ataque acabam por beneficiar sempre as suas vítimas. E quanto mais essas vítimas se puserem a jeito, melhor para elas próprias.
Quanto ao estado da educação em Portugal, fica aqui bem retratado: o respeito e autoridade docente foi há muito perdido. A noção do valor que podem acrescentar a uma futura geração, também. A importância que reconhecem à sua função foi ralo abaixo. A realização que não encontram no mundo do ensino é crescente. Estes, como outros valores importantes para uma profissão tão digna, ficaram perdidos nas lutas entre sindicatos e ministérios que ao longo dos anos têm vindo a "educar" o ensino em Portugal, esquecendo outros aspectos igualmente, ou mais, prioritários.
PS - valorização confirmada hoje. Caché já terá subido.
Não se trata de tomar a floresta pela árvore, Francisco. Trata-se de pretender retirar frutos dessa árvore, longe das prioridades estatísticas, do politicamente correcto e do romântico eduquês.
Um rapaz - aos 15 anos não se é criança - que se encontre a "patinar" na terceira classe teve, por certo, mais que duas ou três oportunidades e por alguma razão não progride. E enquanto não encontra o seu lugar, vai libertando a sua frustração sob a forma de violência. Pudesse entrar no mercado de trabalho e estudar no ensino recorrente e talvez descobrisse a sua utilidade na construção de uma "sociedade melhor".
Talvez ajudasse os seus pais, que hoje o inibem de crescer para terem o RSI, e desse a volta por cima a pulso, como aconteceu a muitos bons exemplos que se vêem por aí. Não se trata de desistir, mas sim de ser contra uma enfantilização da sociedade que traz, essencialmente, aspectos negativos.

O ensino progressista, distorcido por muitos para um eduquês enjoativo, é pródigo em tentativas, reformas e contra-reformas. O objectivo é chegar a um admirável mundo novo o mais depressa possível, por via de uma atitude pedagógica politicamente correcta que nos liberte de todos os conflitos da vida e nos deixe viver a todos num globo cor-de-rosa.
Reféns de uma mentalidade que prevê consumos industriais de Prozac para atingir tanta harmonia, os socialistas vão esquecendo os pilares fundamentais da responsabilidade. Mas é bom saber que quando experiência os trai, ainda que seja em resultado de "casa arrombada, trancas à porta", vulgo últimas-notícia- de-bullying, voltam atrás e reconhecem os tremendos erros em que caem com estas ideias do socialmente idílico.
Traduzindo, Isabel Alçada anunciou que, no âmbito da revisão em curso do Estatuto do Aluno, serão introduzidas alterações ao regime de faltas, “com diferenciação entre faltas justificadas e injustificadas”. Só é de lamentar que tenhamos perdido dois anos para perceber o erro e que, como é comum em Portugal, se esteja a legislar para resolver os problemas de hoje, mesmo depois de sérios e vários avisos por parte da oposição de que a medida não produziria bons resultados.

Para uma recém chegada, é de estranhar tamanho desplante em fazer de todos nós parvos. Bem sabia, em tom de ditado "diz-me com quem andas, dir-te-ei, quem és" que a escola é boa. Só desconhecia que a aprendizagem fosse tão rápida. Mas aparentemente Isabel Alçada já é capaz de jurar a pés juntos que a culpa de chover dentro de um pavilhão novo na cidade de Beja, é do clima, esse malfadado e imprevisível agente detorpado pelos EUA ao não cumprirem Kyoto.
Estas respostas defensivas de quem atira com a primeira pedra que está mais à mão e que normalmente nos passam atestados de estupidez são características em José Sócrates que tem feito o mesmo ao insistir que não está a aumentar os impostos, ao dizer que está a ceder aqui ou ali apenas para obter aprovação dos outros partidos, ao ter insistido teimosamente numa solução de grand vitesse, mas que afinal não era assim tão vital, ao estimar um défice errado que só derrapou para "combater a crise e ajudar as famílias".
Enfim, é uma escola de "ludibrianço" que por aí está montada e a Ministra começa a tirar nota 20!
Quando era mais novo, longe da figura alta e espadaúda que entretanto também teimei em não ser, constituía um formato apetecível para as mãos dos bullies ou rufias do meu tempo. Não era "caixa-de-óculos", mas era um pequeno-pónei. Não era sopinha de massa, mas o ar de betinho penteadinho mesmo ao jeito de um "calduço", ninguém mo tirava. Não era um "Nerd", mas o epíteto de "João Maria" dava azo a iguais troças e cruéis brincadeiras,
Mas sobrevivi à escola pública como a maioria de "nosotros".
Lembro, no entanto, um episódio com um rufia de bairro que me importunava, sistematicamente, até ao dia em que me "gamou" o meu yô-yô black russel five stars que eu tinha ganho num campeonato da modalidade!
Lavado em lágrimas por tamanha injustiça, vejo accionado, assim que chego a casa, um alarme materno que me salvaria daquele bullie de palmo e meio, que as únicas coisas que tinha a mais que eu eram dez quilos no peso e já uma penugem mal semeada, vulgarmente conhecida por "buço". Como vos digo, foi a minha própria mãe tratar do assunto pondo aquele terrorista malcriado na ordem e explicando-lhe que o meu irmão mais velho, que estava atrás dela, iria ficar atento no caso dele se prestar a qualquer manobra vingativa.
Não tendo ficado na altura fã da atitude da minha mãe - as vergonhas de pré-adolescente são tão ridículas - reconheço hoje em dia que lhe devo o fim daquele pequeno martírio.
E serve isto como resposta, Tiago. Não vivo inebriado pelas linhas do João Miranda - nem sobre este assunto, nem sobre outros tantos - e confesso que as respostas extremistas são as piores que se podem dar. Não podemos fingir que nada se passa, como ele faz, nem podemos andar por aí a apaparicarmos com psicopedagogias cada problema de que ouvimos falar, como receio que tentes fazer. A solução mora nesse cliché: a família. Mais precisamente numa família atenta e interventiva, mas também numa escola que pelo seu dinamismo natural possa enturmar todos os alunos tentando diminuir guetos, grupos e putos rebeldes. Sim porque a maioria, não são mais que isso: putos rebeldes a precisarem de pulso e de outra mão cheia de mimo!
Há notícias que me devolvem a esperança nos dias cinzentos. Há notícias que me fazem acreditar que, passo a passo, Portugal irá convergir para uma realidade mais flexível, menos presa a fantasmas estatizantes e onde a possibilidade de escolha é garante de liberdade.
E quando essas notícias de liberdade definem o futuro da educação, aí fico com a certeza que a próxima geração, podendo escolher livremente a sua formação, poderá ser muito melhor que a minha. Os cursos de banda larga, nomeadamente as engenharias, foram um primeiro passo desempoeirado em resposta ao que o mercado e a realização pessoal vão exigindo.
O primeiro curso combinado entre diferentes áreas é mais que isso. É a possibilidade de à la carte a pessoa se formar e ficar responsável pelo seu futuro. De num registo lifelong learning ir adequando Minors às opções traçadas na sua vida profissional. Longe de imposições e limitações poderá autorealizar-se e ficar a depender sobretudo de si própria e das suas escolhas. É uma oportunidade para o cidadão crescer, para a sociedade amadurecer e ganhar espírito crítico, mas também para o Estado aliviar a sua responsabilidade sobre um tema para o qual nasceu quase cego e de mãos atadas.
Estivesse eu a entrar agora para a faculdade...
O primeiro "banano" que levamos marca-nos para o resto da vida. Há ali qualquer coisa que nos faz chocalhar, que nos apresenta à derrota, à humilhação e à vergonha, mas que nos põe a pensar normalmente no: "como é que lhe vou responder de volta?!" E é aí que nasce outro momento que igualmente nos marca: o dia em que enfiamos o nosso primeiro "banano"!
Não, não é isto um incitamento à violência nas escolas. Mas esta história do bullying de hoje que tem outros problemas bem mais sérios e complexos que o bullying do meu tempo, continua com raízes muito mais comuns do que se possa pensar e para os quais as respostas extremistas nunca constituíram solução. Não podemos fingir que não vemos e que o problema não existe, como faziam os pais tiranos de outrora que em tom cavernoso arrancavam um "faz-te homem!" dos intestinos, nem por outro lado nos podemos deixar cair em filosofias de eduquês, repletas de psicologias e preservação de bem-estar que só acaba por criar florzinhas de estufa que virarão vítimas de bullying o resto da vida. No equilíbrio, em pais atentos, e numa escola dinâmica deverá ficar a resposta.
Se o João Miranda quiser ver para além disto e o Tiago Ramalho não fizer da coisa grande drama, talvez dê para chegarmos a algum lado e não se tenha de separar os dois.
E o que chove lá fora?
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