Quando os mercados fazem tudo ao contrário do que nos diz Sócrates, numa reacção diametralmente oposta às suas palavras, dando ideia de que se Sócrates diz, então é porque vai suceder o contrário, não será isso também um sinal que nos querem dar de que este senhor já não tem credibilidade para governar?
Um dia depois de aprovarem o orçamento e de Sócrates vir dizer não ao FMI, os juros sobre a dívida pública atingem o seu recorde e hoje, dois dias depois, o próprio FMI fala da inevitabilidade da sua vinda.
É caso para dizer: sei por onde vou. Vou por onde ele não for!

Continuando a senda de encontrar os limites ao Estado - pelo menos o central. Não sou nenhum Livingstone para me meter em aventuras maiores - achei que era altura de ir até ao site do Ministério cuja detentora da pasta diagnosticou esta semana o colapso do Estado Social. O Ministério da Cultura acrescenta mais 25 organismos tutelados, mas desta vez e à parte - pelos menos descriminam e apresentam-nas - as fundações que apoiam e que são 12.
E numa delas até acabei por encontrar lá um nosso velho conhecido como presidente do Conselho de Administração: Manuel Pinho. Conhecem? Pois é, o senhor dos "pauzinhos" está pela fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva a divertir quem por lá passa e a suceder a António Vitorino. E com isto, nem me aventurei a ver as outras. Preferi voltar às somas.
Assim, volvidos apenas 4 Ministérios, vamos em 123 empresas/organismos públicos directos e 12 fundações conhecidas. Ainda há quem pergunte onde se pode cortar na despesa como se fosse algo extraordinariamente difícil?
O Estado não contrai empréstimo para comprar casa nova, arrancar com um novo negócio ou apostar numa pós-graduação que lhe permita melhorar a vida. O Estado vai ao banco pedir empréstimo para pagar papel higiénico. Mais precisamente 2,5 milhões de euros/hora em papel higiénico, que é como quem diz, despesas correntes. O que representa um endividamento por português, médio, de 6 euros por dia ou 180 euros por mês, ou seja 20% do salário médio nacional (894€).
BCE revê em alta previsões de crescimento na zona euro, inflação poderá chegar aos dois por cento no próximo ano e Portugal continua a crescer 1,4% abaixo da média Europeia. A qualquer instante virá José Sócrates comentar que estamos no bom caminho.

Definir a dimensão de um monstro não é fácil. Há muito por palmilhar até se perceber os limites da coisa. Desta vez fui até um ministério que fora emagrecido há uns tempos para perceber como estaria hoje em dia.
O Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas tem apenas 18 organismos directos. Pouca coisa depois do que se viu no MOPTC e no MTSS. O problema foi ao desdobrar esses 18 ramos. De entre aqueles que nos dão a conhecer as suas entranhas - grande parte, como o IGAP, a DGADR, ou outros, não nos concedem esse privilégio - a maioria tem estruturas orgânicas gigantescas como esta ou esta.
Assustou-se com a dimensão da coisa? Não é caso para isso. Lembre-se que até agora, revistos 3 ministérios, vamos em apenas 98 empresas/organismos directos e todos eles com, potencialmente, o mesmo tipo de estrutura. Não o deixa satisfeito saber que ainda há tanto ministério por visitar?
Infinitamente mais guloso do que endinheirado, o Estado continua a atafolhar-se de bolos depois de ter enganado os tolos!
A despesa pública dispara 40% acima do estimado no Orçamento de Estado - o que poderia hipotecar a meta de redução em 2% do défice até ao final do ano - mas isso não é matéria que preocupe Teixeira dos Santos. O Ministro diz saber que até lá poderá contar com a receita vinda do aumento do IVA, IRS e IRC para pagar essa derrapagem orçamental.
O que resultará, inevitavelmente, no costume: o governo pede mais ao portugueses, para poder continuar a adiar a dieta que se impõem e a gastar como tem vindo a ser habitual, para no fim do ano, rever os números do défice 4 ou 5 vezes seguidas, dizer que o mundo mudou numa semana, e com uma lata descomunal ainda vir defender que "está para nascer um Primeiro-Ministro que tenha feito melhor no défice" (José Sócrates, 2009).
Depois virão as agências de rating, o crédito será cortado, as empresas portuguesas ficarão de pés e mãos atadas e a economia distanciar-se-á ainda mais da média europeia. E um pouco mais disto, Portugal, e serás pó!
Há um ano atrás tinha horas precisas para ir almoçar a fim de evitar a espera pela mesa no restaurante da esquina. Agora saio do escritório à hora que me apetecer e que a fome ditar e quando lá chego há sempre mesas por ocupar. Alguns passaram a comer de pé, mas a maioria deixou mesmo de aparecer! Não há dinheiro para mais..
Depois deste post, fui ao Ministério do lado, o do Trabalho e da Segurança Social, ver se o número de bocas para alimentar era o mesmo. Descobri que por lá existem, fora hierarquias directas que até tenho medo de descobrir quantas serão no total, 32 empresas/organismos que um dia ainda gostava que me explicassem o que fazem e o que gastam. Nomeadamente, a Agência Nacional para a Aprendizagem ao Longo da Vida - tentem não rir! -.
Esta é uma pesquisa a continuar. Até agora vamos em 80 organismos com dois ministérios visitados.

Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias. Ainda que lhe soe a estreia absoluta, saiba que o instituto já se encontra a pesar no Estado desde 2007. Por curiosidade fui ver ao que destinava e ao ler a sua "missão" fiquei com sensação que se sobrepunha, em responsabilidade, a outros organismos estatais mais conhecidos, como por exemplo, as "Estradas de Portugal, EP".
Vai daí, para desfazer as minhas dúvidas, entrei no site do MOPTC. Erro fatal! Fiquei a saber que dependendo directamente deste Ministério estão apenas 49 singelas - e acredito que leves ao orçamento - empresas/organismos do Estado, o que rapidamente me esgotou a paciência e me lembrou que trabalho até Maio para sustentar proles deste género.
Um dia destes ainda vou saber o que cada um destes organismos faz e sorve ao contribuinte. Hoje não era o dia! Havia que ir trabalhar para os sustentar.
Governo diz que é possível "superar" crescimento de 0,7% previsto para este ano. Tinha ficado com ideia que o Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, tinha pedido aos portugueses para não lançarem foguetes.
"E ainda dizem que estamos em crise!" - é das exclamações mais irónicas que se ouve ou que se diz sempre que se vêem hotéis de luxo cheios, carros de alta cilindrada acabados de chegar do stand, garrafas de vinho procuradas incansavelmente a preços exorbitantes. Mas a crise está aí e a partir de agora tentarei dar exemplos disso.
A primeira prova disso foi ter vindo do Meco, ontem, num domingo, fim da quinzena de Agosto, cheio de medo do trânsito que iria apanhar à entrada da ponte, para depois cair no alívio - felizmente - de não ver cardumes de carros e perceber que os que lá se encontravam vinham, em grande maioria, da Costa da Caparica. Nada de Algarves. Tudo pelas praias da Costa. Não há dinheiro para mais.
A Telefónica é chefiada por rebanhos de idiotas, de estratégia nada percebe e comprou a Vivo apenas por teimosia, só pode!
Do que percebi das declarações dos nossos governantes e principais intervenientes na PT afinal o que é bom é a Oi - ao que parece andámos enganados e enganámos agora os espanhóis - e o gigante espanhol vai para o mercado brasileiro fazer turismo e ver as oportunidades passarem, tal é o crescimento que os portugueses idealizam para a operadora agora adquirida.
Não fosse a golden share e esta oportunidade nunca teria surgido. O Financial Times, sobre Sócrates, já tinha alertado que estávamos perante um "optimista inveterado"!
Gold makes dead portuguese dictator top investor
[...]
Por enquanto, estamos salvos pela lei, mas nunca fiando. O melhor é ninguém dizer a Sócrates que o temos.
Euro passes stress test as debt panic ebbs
Ainda que a Europa se comece a encher de esperança, falta-nos a nós resolver a nossa crise, por isso nada digam a Sócrates, não vá ele extrapolar com previsões de euforia, bardar com o fim da crise como fizeram há uns meses, ou pior: rearrancar com elefantes brancos que ainda não se sabe muito bem em que ponto ficaram. Nada lhe digam antes que ele avance de novo com o TGV!
"é resultante da situação de crise que nos tem afectado nos últimos 3 anos" diz Teixeira dos Santos sobre a revisão da Moody's.

Em cada 10 portugueses, 2 estão desempregados. Com muito azar à mistura, dois desses dez podem perfeitamente ser os dois chefes de uma família que ontem viu o imposto sobre o consumo diminuir o seu poder de compra, enquanto também assistia a uma diminuição nas deduções em saúde e educação lá de casa. Ou seja, de uma vida díficil passou para uma vida infernal. Até porque, como se não bastasse, este governo pretende taxar o trabalho, com efeitos retroactivos - que pândega! - agravando assim triplamente uma família que já se via em dificuldades.
Mas, mais do que o dia-a-dia, é a esperança que está coartada. Se a família só vê o Estado a ir buscar aos bolsos e ao suor dos contribuintes e das empresas, financiamento para equilibrar as contas - isto para não dizer que é para continuar a financiar sonhos socialistas - e não vê o mínimo esforço para diminuir a despesa, nem melhorar a capacidade das empresas que geram economia e postos de trabalho, então a dita família não pode suspirar pelo amanhã, pois teme que ele apenas seja pior.
O Estado não está a ir buscar para ajudar quem precisa, está a ir buscar para se financiar a ele próprio. E se hoje vai buscar a 8 em cada 10 portugueses, amanhã não sabemos quantos contribuintes ainda existirão com emprego para suportar essa demanda.
E o nosso Primeiro-Ministro continua no país das maravilhas a defender-se com os números da sazonalidade que aí vem..
E o que chove lá fora?
Quiosque da D.Web