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República do Caústico

Esqueçam as especiarias. Estamos em crise..

03.07.10, João Maria Condeixa

Tempos houve em que me cruzava com um porteiro que, dependendo da gravata, assim me tratava por "Sr. Dr" ou "Sr. Eng". Tempos mais tarde resolvi, num acto natural e descontraído, libertar a minha maçã de Adão e deixar a gravata em casa. Pois o meu nome, a pouco e pouco foi caindo na lama e de um subalternismo bacôco fui vendo nascer um sobranceiro Homem capaz de me enfrentar num "bom dia" sem título académico.

Portugal é o país dos doutores e engenheiros, onde mesmo quem não é, dependendo do posto, por uma das duas formas assim tem de ser tratado - e não, isto não é uma indirecta a José Sócrates, mas sim uma directa à pacóvia sociedade portuguesa dos salamaleques honoríficos -.

 

Daí que não me admire que um deputado da nação, que em parte o seu trabalho é representar os seus eleitores, seja tão provinciano no pensamento. Afinal de contas está a representá-los tal e qual como eles são ao pensarem assim. Diz José Lello que é "desprestigiante para o Presidente da Assembleia da República andar em executiva e que temos de cuidar dos sinais que mandamos para o exterior". Pena que não tenham pensado no sinal que mandaram para exterior quando usaram a golden share contra 75% da vontade accionista. Mas, adiante. Este tipo de pensamentos são resquícios de um português mal habituado que sonhando ainda com o luxuoso país do séc. XVI, que nunca conheceu, se recusa a encarar a difícil realidade do país do séc. XXI, em que vive, e que ajudou a criar.

 

O exemplo de Jaime Gama pode até adiantar pouco ou mesmo nada, mas revela um espírito que combate o mal que nos trouxe até aqui: a mania das grandezas! É hora de todos nós o adoptarmos..

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