Segunda-feira, 24 de Maio de 2010
por João Maria Condeixa, em 24/5/10

O país ao domingo está totalmente dessincronizado e desajustado. Experimentem percorrer, por exemplo, a capital a um domingo em busca do comércio tradicional - que é como quem diz, aquele que se encontra ao ar livre, pois de tradicional tem o que tem - e depois digam-me se o encontraram aberto.

 

No dia em que eu e metade dos Lisboetas tem mais tempo para percorrer o Chiado, a Baixa ou a Guerra Junqueiro, o comércio tradicional, que de tanta defesa carece, encontra-se fechado, obrigando-nos a partilhar espaço com esses adoradores de pipocas e pares de namorados pegajosos que, de braços entrelaçados um no outro, pululam os corredores artificiais dos recintos fechados sem se desviarem de quem efectivamente quer circular. Pior, só quando os encontramos, moles e melados, a trocar saliva a meio de uma escada rolante.

 

Mas, o filme não acaba aqui. Finitas as compras não alimentares de inicio de época veraneante, eis que surge a necessidade de encher a despensa lá de casa. E para onde somos despejados? Para a rua, pois claro, porque nos centros comerciais, a bem do comércio tradicional que também encerra no dia do Senhor, resolveram fechar os hipermercados. Fazendo de nós seres deambulantes de estacionamento em estacionamento, por entre elevadores, corredores, semáforos e maratonas com sacos de plástico, para conseguir algo que podia ser tão mais acessível caso não vivêssemos neste país desorganizado e dessincronizado por via das leis.

 

Depois admiram-se que enalteçam a internet que um dia tudo há-de colocar à distância de um clique.

 


publicado por João Maria Condeixa às 11:40
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