Terça-feira, 6 de Abril de 2010
por João Maria Condeixa, em 6/4/10

"Já estive na Figueira da Foz, em Loulé, em Valença, agora ando por Lisboa, mas quero ver se me piro para o Dubai!" - ouvido no café de manhã.

Pedreiros há que parecem viver em permanentes missões arriscadas pelo mundo fora, como se de militares de elite se tratassem. Combatem o desemprego e a quebra de oferta no sector, buscando aqui e ali soluções. "Vergam a mola" - como eles próprios diriam - onde e como tiver de ser. A filosofia dos que têm na mão um balde de massa ou um canudo recheado de sonhos, é por demais semelhante: viver com a instabilidade, procurar as alternativas e nunca assentar arraiais num só local e muito menos nos "direitos adquiridos". E assim tem de ser e só assim se vai lá.

 

PS - reparei agora que há quem encontre outras soluções. Não tão sérias, mas igualmente verdadeiras.


publicado por João Maria Condeixa às 15:34
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2 comentários:
De Rui Gaspar a 6 de Abril de 2010 às 18:48
..."viver com a instabilidade, procurar as alternativas e nunca assentar arraiais num só local e muito menos nos "direitos adquiridos". E assim tem de ser e só assim se vai lá.", ... em parte concordo contigo quando fazes esta afirmação.

Não concordo porque é feita só do ponto de vista do "pedreiro" mantendo tudo o resto constante. Quase tudo não depende dele, se não repara: a instabilidade que em si provém do não assentar arraiais (jargão corrente: mobilidade) e dos direitos adquiridos perdidos (que hoje mais vale apelidar de direitos retirados) são lhe impostos e vistos como um factor de modernidade.

Ao pobre pedreiro resta-lhe a sua experiência (formação laboral e ou escolar). Mas mesmo esta pode-se revelar infrutífera, pois... pode estar simplesmente desajustada das necessidades do país (mais um factor exógeno). Mas ok, aqui podes dizer: que seja um empreendedor; mas mesmo aqui a revolução da mentalidade portuguesa está por acontecer, talvez ao empreendedorismo lhe chamasse-mos "desenrasca" talvez obtivemos outros resultados (podes sempre argumentar isto dando como exemplo os 5 milhões de portugueses da diáspora).

Concordo quando dizes que a procura de não viver em instabilidade se faça pela procura de alternativas e que só assim se lá vai, porque: o simples facto de estar na altura certa no lugar certo não advém somente da sorte; muitas das vezes a sorte constrói-se ao longo do tempo com a natural paciência (alentejana de preferência) que seja necessária. Mas sobretudo creio que a procura de alternativa contra a instabilidade pode se resumir pelo simples desejo de uma participação cívica e activa de iniciativa própria e não ficar refém de outrem, as tão malfadadas cunhas sob os mais diversos nomes e formas que me vêm à cabeça. Acho que aqui posso dar nosso exemplo: nós não nos limitamos a tirar um curso na nossa universidade pois não?

Quanto ao capital erótico, ele é real e desempenha o seu papel no recrutamento ou na gestão de conflitos do dia a dia.

assinado:
um que se desenrascou lá fora: tenho a estabilidade indexada aos fluxos económicos e direitos adquiridos a serem todos os anos questionados quer por quem elegemos, quer pelo patronato que nos contrata

ps (ou cds se preferires) - espero com isto lançar mais lenha para a fogueira, se achares por bem claro


De João Maria Condeixa a 6 de Abril de 2010 às 23:48
Não só acho bem, como concordo na generalidade.
No fundo o que o curto post pretende enaltecer são aqueles que, desacomodados dos confortos de um Estado-providência, se mostram capazes de tocar guitarra com as suas próprias unhas.
Não quero, no entanto, apontar rumo a um liberalismo laboral desmesurado e selvagem, mas há que acabar com os exemplos, como o que nos chega da Grécia, das cabeleireiras que reivindicam direitos ridículos à sombra de uma lei, que algures no tempo, as considerou "profissionais de desgaste rápido" a serem protegidas! Portugal aí tem demasiadas parecenças com a trupe helénica...


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