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República do Caústico

De pouco serve o diagnóstico se não se conhecer a cura

27.03.10, João Maria Condeixa

 

Pedro Passos Coelho lá ganhou e os próximos dias serão pródigos em posts sobre o tema. Enquanto não me debruço sobre o futuro do PSD e as suas implicações, opto pelo balanço destes dois últimos anos de Manuela Ferreira Leite que à frente do partido laranja chegou com o estatuto tatcheriano de ser uma dama de ferro para rapidamente o perder para um silêncio dos não inocentes. E se no princípio esse silêncio fazia sentido e perspectivava um estudo detalhado e debate profundo sobre as matérias, a longa espera fez com que se criasse um ruído ensurdecedor, não por MFL, mas pelo desespero de quem queria mais e exigia mais da líder de oposição. Foi então hora de soltar o que lhe ia na alma. E zás, num segundo se percebeu que MFL era Sol de pouca dura.

 

De gafe em gafe foi dando espaço a que vozes dentro do partido se organizassem para traçar um novo líder, lançando sobre si um "c.q.d." quanto à teoria de que estaria apenas de passagem. Sai da liderança sem deixar saudades, embora num único rasgo de sorte e honestidade tenha conquistado para si a reserva moral de detentora da razão. Traçou, como há uns dias o disse, o prognóstico correcto sobre o estado do país. Não "enganou o país" como José Sócrates e "por isso perdeu".

 

Eu acho que perdeu por mais, por bem mais, mas tiro-lhe o chapéu quanto a este aspecto.

No entanto, há que explicar porque perdeu. Primeiro, porque vinha já fragilizada para a luta e por muito certeiro que fosse o prognóstico, não seria suficiente para sobreviver. Mas perdeu, sobretudo, porque não sobe traçar a cura para o seu prognóstico. Nem por uma vez soube explicar como sairia deste cenário e poucas foram as vezes que ousou ser alternativa. Por outras palavras, nunca propôs a cura. E de que serve termos um Dr. House se ele depois não souber prescrever as doses de epinefrina que na dita série resuscitam pacientes?

 

Só por isso perdeu e só por isso se sentiu ultrapassada por Paulo Portas. Portas assumiu o papel de líder de oposição, não por berrar mais alto, ou por falar mais que MFL. Ultrapassou-a porque construiu uma alternativa ao PS e apresentou projectos que viriam a ser adoptados pela sua pertinência. Portas diagnosticou e vai propondo o remédio. Só por isso cresceu. E MFL vai ficar com o ónus de quem permitiu que isso acontecesse.

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