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República do Caústico

O Sr. Zé sabe quem despede

16.03.10, João Maria Condeixa

Vamos lá aqui fazer um exercício para que seja mais fácil de entender os resultados dos esforços cegos que se fazem na administração pública:

 

O Sr. Zé, dono do supermercado no r/c do meu prédio, tem sentido nos últimos tempos necessidade de apertar o cinto e de dispensar pessoal sob o risco de ter de prescindir por completo do negócio que entrou em declínio já antes da crise. Não fosse a coisa agravar-se e passar o ponto de não-retorno, sacou do lápis de cima da orelha e atirou-se às contas:

6 pessoas na peixaria desde o tempo em que a pescada era mais barata que a carne picada e que agora pouco tinham de fazer; 2 pessoas no talho sem mãos a medir, 4 nas registadoras, uma nos iogurtes que se vendem sozinhos e 4 na padaria que também já viu dias melhores antes das bimbys e do Bimbo pão de forma cheio de ar chegarem ao mercado.

Havia que resolver o problema e reduziu 4 peixeiras, 2 padeiras e 1 sra. dos iogurtes. Admitiu 1 para o Talho e voltou a sorrir.

Se tivesse optado por ter posto uma venda nos olhos e dito que a cada 3 que saísse entraria 1, tinha ficado refém da saída das peixeiras que já não vendem, para poder colocar uma pessoa no talho, que quando lá chegasse, só com sorte é que teria clientes para aviar, pois já se sabe que nestas coisas, se demora muito, vai-se ao supermercado do lado.

Ou, num cenário ainda pior, talvez tivesse saído uma pessoa do talho e as peixeiras com anos pela frente na função teriam continuado a pesar no orçamento não dando espaço à receita.

 

Mas, felizmente, o Sr. Zé sabe que não o pode fazer, mesmo sendo o único supermercado do bairro. Se o Sr. Zé sabe, o que falta para sabermos nós todos?

 

PS: dei por mim a concordar com os sindicatos.

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