Já repararam que despiram, finalmente, a Duque de Ávila dos tapumes que lá estavam há uma eternidade? Acredito que haja por aí muitas crianças a pensar que aquilo era mesmo assim...
Mas é verdade, sairam.E eu hoje no trânsito dei por mim a olhar para a avenida como se de novidade se tratasse. O que me levou a reparar num detalhe daquela e de outras avenidas alfacinhas.
Quantos estilos diferentes de arquitectura temos numa mesma rua? Quantas épocas diferentes se assinalam numa avenida como a Duque de Ávila ou a da República?
Prédios típicos de Estado-Novo a ombrear outros ao estilo art nouveau (não pensar que é o primo francês do primeiro) ao mesmo tempo que aqui e ali surgem semeados uns quantos escritórios modernaços de alumínio ou de vidro. Prédios das décadas de 20, de 40, de 60, dos anos 70, 80, 90 e à velocidade que isto anda qualquer dia diferenciam-se pelos anos!
Apesar de não ser nada de muito chocante, a verdade é que fica a ideia que tanta diversidade só se dá porque aqui e ali vão existindo buracos resultantes de antigos prédios devolutos. Não há uma homegeneidade como se vê noutras capitais europeias o que me leva a pensar que sempre tivemos dificuldades e estabelecemos entraves à manutenção imobiliária. Leis de arredamento erradas, falta de iniciativa, de vontade e de possibilidades privadas, falta de apoios camarários e de programas exequíveis, tudo levou a que Lisboa tenha caminhado e continue ainda na senda de se tornar numa manta de retalhos...Bonita, é verdade. Mas não poderia sê-lo mais?
E o que chove lá fora?
Quiosque da D.Web