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República do Caústico

É assistencialista e coiso e tal....

07.08.11, João Maria Condeixa

Pegou moda chamar ao PES - ao Programa de Emergência Social, não ao Pro Evolution Soccer, bem entendidos - coisa assistencialista. Na falta de melhor, alvitra-se um palavrão ideológico e está a crítica feita. O rol de medidas não sofre beliscadelas, mas o Sidónio é chamado à baila sem sequer se lembrarem - ou mesmo saberem - que aquela foi uma resposta pós-guerra num tempo em que o Estado que hoje conhecemos não existia e que por isso pouco ou nada tem a ver, mas que chegou a uns quantos estômagos famintos - que de ideologia pouco se alimentavam -.

 

Em política, não conseguir antecipar o futuro, não o querer antever ou ignorá-lo paga-se caro. Foi isso que aconteceu com o encolher de ombros a que assistimos durante uns anos. Atitude essa que valeu a que hoje muitos precisem de uma resposta extraordinária, resultante da articulação com todas as forças - que sirva de complemento ao que o Estado sozinho já consegue dar -, e que se acautele, com ainda mais atenção, o que o futuro próximo possa guardar. Ignorar sinais externos seria um erro. Ficar refém de grilhetas ideológicas seria prejudicial. Racionalizar, combater o desperdício e aumentar a eficácia torna-se um imperativo.

 

Com o PES, o Estado e as suas respostas não deixam de existir. As tias e a sua caridadezinha não passam da capa da CARAS para o substituir. Mas antes é reconhecido e valorizado quem sabe do ofício: as IPSS, as Misericórdias e as Mutualidades. Dizer o contrário é afrontar anos de meritório trabalho destas instituições.