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República do Caústico

A pedra no sapato

13.06.11, João Maria Condeixa

Fernando Nobre passou do 25º lugar d'Os Grandes Portugueses para o lugar de pedra no sapato. Tivesse sido há uns anos e o seu nome para o lugar de Ministro dos Assuntos Sociais e Saúde não levantaria dúvidas e talvez até fosse aclamado por larga maioria. Mas, por responsabilidade do próprio que coleccionou um grupo de descrentes, anti-fans e desiludidos, hoje isso já não é possível.

 

Nobre mostrou-se um inábil político que fragilizou o conceito de independente. Chegou mesmo a diminuir a admiração de muitos pelo seu percurso profissional.

 

Portugal não pode passar a ter um Ministro apenas para que seja aliviada uma pedra no sapato. Portugal precisa de mais.

Lisboa é lindé!

13.06.11, João Maria Condeixa

Pra mim tanto me faz qual é a mai lindé: se é Alfama, a Madragoa, a Bica ou o Castelo. Eu gosto é daquela fumarada da sardinha misturada c'a  da bifana, tudo servido numa molhada de gente alegre e bem disposta que berra mais do que aquilo que fala e que grita mais do que aquilo que berra.

 

Gosto do bailarico que repete vezes sem conta o "..passo o dia a sonhar contigo.." do grande Tony, sobretudo quando em versão medley interminável tocada pelo órgão korg de um anafadinho que, suado, com gotas a escorrerem-lhe até à boca, vai salpicando o microfone a cada palavra que diz.

 

Gosto de ver o cai-cai que muito boa rapariga insiste em usar nestes dias, ainda que a caixa peitoral a isso não permita e a obrigue a andar noite inteira a apanhá-las aqui e ali a cada gesto e salto que dá. A sério que gosto!

 

Gosto da malta mitra que com o cabelo em crista e brilhantes à Ronaldo, insiste em contrariar todos os hábitos dos seus progenitores, sobretudo no que à indumentária diz respeito, mas que depois não dispensa meter a mão na cintura da dama para bailar ao som da pimbalhada que passa no momento. É caso para dizer: props pró pessoal que curte essa cena do apitó-quimbóie! 

 

Gosto do niga que esquece a tarrachinha por um dia e abana o quadril ao som dos santos populares e que quando lhe perguntam donde é, com a estupefacção de quem o acha desenquadrado, ele responde e bem: de Lisboa! Que é pra que não hajam dúvidas!

 

Gosto das caras de desilusão e de alegria daqueles que desfilaram nas marchas e que hoje se embebedam a festejar ou a discutir como é que ganham pró ano.

 

Faz-me bem a entremeada repleta de sal e gordura que escapou aos paternalistas da saúde que não percebem que aquilo que poupam em cardiovasculares gastam em psicoterapias, reguladores de humor e prozacs desta vida.

 

Para mim os Santos são isto. Isto e andar quilómetros a pé por uma cidade que não foi feita para isso ainda que alguns insistam que as bicicletas deviam imperar. Pedalem vocês que depois de ontem não estou em condições! E imagino que não seja o único...