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República do Caústico

Na ressaca das legislativas: o PS

06.06.11, João Maria Condeixa

O PS perdeu, sobretudo, por descredibilização do seu governo, graças a um vórtice de nome José Sócrates que a si chamou quase todos os episódios de desconfiança que o eleitorado possa ter. Como sobre isso já muito se escreveu, volto a reiterar o que já disse: foi na grande derrota destas legislativas que o PS encontrou a sua maior vitória ao ter-se visto livre de Sócrates. Solto desse agente patogénico poderá voltar a negociar e ajudar o seu país junto com outros partidos.

 

O PS, tal como é seu costume na oposição irá virar mais à esquerda. E se quiser, pode até aproveitar a oportunidade para se tornar o único partido assumidamente de esquerda com intenções de governar. Mas para isso terá que, em simultâneo, ter uma postura responsável que trará retorno em reconhecimento a médio-longo prazo. Caso contrário cairá no mesmo saco em que também reconhece estar o BE e o PCP e que os fragilizou. Ou seja, terá de reconhecer que o futuro será duro e que o MoU, que também assinou, é exigente, mantendo-se à parte da revolta social que da sua aplicação possa advir, acalmando os seus sindicatos, caso queira cumprir por completo o papel de esquerda democrática responsável.

 

Talvez assim consiga limpar um pouco a folha que neste mandato borrou e redimir-se dos seus pecados.

Na ressaca das legislativas: o CDS

06.06.11, João Maria Condeixa

Ao subir num mesmo momento que o PSD também subiu, o Paulinho das feiras - agora também dos bonés - mostrou que tem já um eleitorado fidelizado - por via das acções e não por via do clientelismo, pois na distribuição do "poderzinho" a coisa é incipiente - e que está a conseguir mostrar-se como alternativa ao PSD, ao mesmo tempo que assegura o futuro com a conquista dos eleitores mais novos que se revêem, parece-me a mim, no seu entendimento do mercado, da economia e do trabalho. Ou seja, dá pistas que o crescimento é estrutural.

 

Além disso não tem uma cultura fratricida e autofágica como os sociais democratas que cedo, ainda jotitas, se deixam muitas vezes vislumbrar pelo poder.

 

Mas com o poder chega novo desafio: o CDS não tem malha autárquica e vive do seu protagonismo no parlamento. Esvaziando esse palco para o governo e não havendo espaço para o grupo parlamentar brilhar tanto como na oposição - é natural que assim seja - só se souber trabalhar muito bem as estruturas e candidaturas às autárquicas, poderá almejar manter este crescimento. Se assim o conseguir e ao mesmo tempo sair depois do governo de cabeça erguida e reconhecido pelo seu trabalho, então terá dado um passo importante para ser alternativa em pleno.

Na ressaca das legislativas: o PCP

06.06.11, João Maria Condeixa

A tradição ainda é o que era e o PCP continua a ganhar eleições atrás de eleições, sem perceber que a cada uma que passa vai perdendo terreno para as forças, imediatamente, à sua esquerda e sua direita. Até nisto são extremamente conservadores. Provavelmente os mais conservadores do nosso espectro político.

 

Insistem na batota de uma coligação que lhes permite ter o dobro do tempo de antena e de intervenção na Assembleia da República, mas que na verdade não passa de uma ficção e de um eco de Jerónimo, mas em versão progesteronizada.

 

Perderam votos, deputados - ah mas ganharam um em Faro! - e percentagem. À medida que a sociedade envelhece lá vão perdendo a raíz eleitoral e não fosse o aumento médio da esperança de vida e já a representação seria menor. Não há muito mais por que esperar, quando o pilar ideológico se mostrou incapaz de trazer soluções ao mundo e a sua versão portuguesa continua a ser das mais ortodoxas na Europa e a achar que está bem assim.

Na ressaca das legislativas: o BE

06.06.11, João Maria Condeixa

O discurso das pensões e das velhinhas a proteger não foi suficiente para travar o voto útil no PS, nem o derrape resultante de uma tomada de posição irresponsável - a não negociação com a troika -. O Bloco perdeu metade dos votos, metade dos seus deputados, desceu para praticamente metade da sua percentagem de 2009,

 

Louçã, que não conhecia outra coisa que não a derrota antes do nascimento do Bloco, voltou a experimentar o sabor amargo da coisa. Mas tal como antes, a consequência foi a mesma: manteve-se no poder. Postura que aliás é típica de partidos de esquerda minoritários - veja-se o PCTP/MRPP que também não troca o líder seja qual for o resultado -.

 

Quanto ao futuro do Bloco, sem causas fracturantes para alimentar a militância e sem demonstrar capacidades governativas ou posturas de uma oposição credível e responsável, poderá ter um prazo.

Não sendo dos que substimam esta força, pois aprendi com o passado, a verdade é que vêm aí momentos difíceis para os bloquistas e é possível que a purga se tenha de fazer. Resta saber se haverá bloco para lá de Louçã.