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República do Caústico

A violação grotesca de Sócrates

10.05.11, João Maria Condeixa

Não é que ambicione passar fome ou andar roto pelas ruas. Não quero sequer chegar a meio do mês contando os dias que faltam para o final e as moedas de cêntimo que me restam na carteira, mas a verdade é que era isso que José Sócrates merecia que me acontecesse. Pela forma como ele pensa que gere o meu dinheiro, pela forma como ele pensa que o usa e que dele abusa. Pela forma como o sente seu a ponto de, sem vergonha, o demonstrar nesta frase:

"Você comprou os submarinos, mas fui eu que os paguei"

Senti-me roubado e expropriado no debate. Órfão de sistema e de Estado - eu que tanto o desprezo - quando percebi que acima dele, se sentia uma pessoa, a ponto de achar que o meu dinheiro, que o nosso dinheiro, lhe pertencia. Dele para pôr e dispor, ignorando o suor que a mim me custara amealhá-lo. Ignorando os sacrifícios que tive de fazer ou o que tive de aturar para o juntar. Dele para sonhar, mandar e pagar.

 

Só por isto Sócrates merecia que eu não tivesse mais para lhe dar e que se cumprisse a máxima de Margaret Tatcher:

 

"O Socialismo dura até que se acabe o dinheiro dos outros"

 

De facto, podemos todos dizer que estamos no bom caminho para alcançar tal objectivo. Pena que seja esta a forma que estamos a escolher para lhe impor um fim.