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Agosto é o mês do emigra voltar a casa e rever os familiares e amigos. Mas o emigra mudou. E em vez de voltar em "ótomóvel" de marca alemã com galhardete do clube local no retrovisor e "naperón" da Ti Clotilde na chapeleira, entra em Portugal por meios aéreos com "troller Sam&SóNight" e muito mais discreto. Já não tem a pretensão de fazer uma casa nas Beiras com o resto dos azulejos da fábrica local que faliu - até porque se sentiria humilhado pelos projectos de José Sócrates - e nem sequer tem vontade de pôr um leãozinho de pedra a guardar-lhe o relvado e o menino que é incontinente desde tão tenra idade.
Já não sente essa vontade porque o emigra já não é o mesmo que, entre os anos 60 e 70, partia "prá França" . O emigra de hoje, para além de ser de outro estrato social e económico, é cada vez mais alguém que nada tem a provar perante os outros quando vai para o estrangeiro. Aquele que hoje parte, fá-lo porque o país não o conseguiu segurar e não porque o país não o conseguia vestir ou alimentar. É sinal que estamos melhor que há 30/40 anos, mas também é sinal que a nossa mão de obra mais qualificada e a nossa massa cinzenta buscam, cada vez mais, ir trabalhar para fora por não termos tecido empresarial que os segure por cá.
Ora um país que vê fugir os seus cérebros, que não produz braços técnicos - só os importa - e que tem uma elevada taxa de desemprego de licenciados, ainda não percebeu que tem um plano desfasado da realidade?
Em Agosto tenho cá - ainda que seja espalhados pelo país - grande parte dos meus amigos. A maioria, mais próxima, está emigrada: Suiça, Angola, Brasil, Bruxelas, Espanha, Inglaterra, EUA. A eles e aos outros como eles: Bienvenue à votre terra!