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República do Caústico

Como acabar com o crescimento em 10 dias

12.05.10, João Maria Condeixa

Não vale a pena esconder a boa notícia que foi este crescimento no 1º trimestre. Não vale sequer minorá-la para com isso manter Sócrates a descoberto de ataques, pois, primeiro, não deve ser esse o caminho e segundo, nem o Primeiro-Ministro, nem o Governo, têm nada a ver com isto. O crescimento deve-se substancialmente a dois factores: aumento do consumo interno e aumento das exportações. E como sabemos, de declarações de interesses, vontades e retrocessos, más medidas e desnorteios nenhuma consequência advém que possa influenciar positivamente estes dois factores.

 

O consumo interno aumentou, sobretudo, graças a um aumento do rendimento disponível por via de da diminuição do sufoco dos empréstimos. E quem diminuiu a taxa de juro para mínimos históricos foi o BCE. O aumento das exportações dá-se, sobretudo, por aproveitamento do cenário cambial entre o Dólar e o Euro que beneficia bastante as nossas - europeias - transacções. Pouco mais foi que isto e como se vê não há dedo governamental.

 

Ora é justamente num destes aspectos, que promoveram este crescimento, que Sócrates se propõe cortar. Um aumento de impostos diminui o rendimento disponível, o consequente consumo interno e com ele lá se vai o crescimento. Se conjuntamente, tivermos, em resultado dos sinais que a UE tenta transmitir, um reequilibrio cambial, puff, eis-nos de regresso à cepa torta, onde mais ninguém tem nada para dar! É esta a falta de sustentabilidade de que se fala. É este o erro que se poderá pagar caro, por não controlarmos a despesa friamente.

O que chove lá fora...

11.05.10, João Maria Condeixa

A fé não é contabilizável

11.05.10, João Maria Condeixa

 

País estranho este que sente necessidade de comparar o número de pessoas presentes para ver o Papa ao número que estiveram domingo no Marquês. E isto é válido para ambos os lados: tanto para aqueles que sentem prazer em esfregar o sucesso da vinda de Bento XVI a Portugal na fronha laica, como para os laicos que se assemelham aos governos a contabilizar sindicalistas por baixo numa manifestação ou greve. 

 

Por muito que estranhem, a vinda de Sua Santidade não é uma concentração de motards passível de ser comparada com outra rival. Não se trata de números, trata-se de fé. E a força de um, presente numa Missa, deveria ser sentida de forma igual e merecer igual respeito, à força de um milhão presentes no Terreiro do Paço. Não devia ser preciso mais nada.

O gene de Manoel de Oliveira

11.05.10, João Maria Condeixa

A busca da eterna juventude foi sempre algo que nunca me suscitou interesse. Descobrir tal elixir e comercializá-lo ainda vá, mas bebê-lo, mesmo que funcionasse, não é para mim. A vida só ganha interesse por se saber finita. E finita não significa obrigatoriamente sofrível, embora ache que seja nesse mal-entendido que resida tanta ansiedade pela milagrosa descoberta da cura contra o envelhecimento. Dizia o meu avô materno que "a velhice, é uma chatice!". Talvez seja, mas uma eterna juventude não o será menos. Ser um cárcere em nós próprios é algo que arrepia a todos, inclusive ao Manoel de Oliveira. Mas, de que vem isto a propósito?

 

Desta notícia que relata a esperança na descoberta de um gene responsável pela infeliz condensação de 17 anos de vida num pacote exterior de apenas um ano, mas a que outros chamam a possível descoberta do segredo da juventude.

 

PS: como se pode ver na Fox News, à parte do excitamento científico, quase nada são rosas.

Devolvam-me Portugal

10.05.10, João Maria Condeixa

Acabo de buzinar aos ouvidos de um gajo que fez uma manobra tão estúpida que só visto. Pois, o senhor, em vez de esticar o dedo ou ter saído disparado a chamar nomes aos filhos da vizinha, acenou-me com um V de Vitória!

Eu juro que não aguento isto assim. Quero o meu país de volta. Um país em que a bolsa não toca máximos históricos, em que as pessoas sob stress soltam a pressão no desconhecido que estiver mais à mão e em que o único sorriso passível de transportarem na cara tenha origem sexualmente conhecida. Para não reconhecer a minha pátria já me bastava este clima alterado e o bónus do Mexia. Qualquer dia isto muda tanto que em vez de darem indultos com a vinda do Papa, aumentam os impostos!

Aumenta enquanto o povo está ébrio

10.05.10, João Maria Condeixa

Dia 30 de Abril, Sócrates dizia na Assembleia da República que não iria aumentar impostos. Dizia isto peremptório e em tom sarcástico - como é seu costume - a Heloísa Apolónia e a Paulo Portas. Entretanto o Benfica sagrou-se campeão e enquanto o povo está ébrio, a rapaziada que faz dos outros parvos, mas que não é parva, aproveita para testar um eventual aumento de impostos

Da janela do escritório não vejo ninguém contra. Dos que se manifestam - que são dois -, a julgar pelas faces rosadas e o cachecóis cravejados de tinto, diria que não estão propriamente a falar nisto. Logo, que interessa que por si o adiamento da terceira travessia do Tejo e do novo aeroporto de Lisboa permita baixar o défice de 8,3 para 7,3 sem mexida na carga fiscal, se aparentemente há espaço para uma subida de impostos que patrocine a teimosia do TGV? Já alguém perguntou quanto baixaria o défice se se abandonasse o projecto? Talvez desse para deixar de lado durante um bom tempo a constante ameaça de aumento da carga fiscal.

No jargão do Benfica está um rumo para Portugal

09.05.10, João Maria Condeixa

O trânsito em Lisboa só se faz num sentido e é naquele que vai dar ao Marquês. Tudo o resto está deserto. De carro ou a pé, os adeptos cospem-se por entre SLBês e brejeirices que incluem sempre a profissão menos digna da mãe de um amigo do bairro e a palavra preferida do mini Quim Barreiros. De cachecóis atados ao pulso ou brandindo-os como se de cowboys se tratassem, veneram-se os "rateres" dos motões, as buzinas já sem gás e - para mal dos nossos pecados - a South African Vuvuzela. Os bons momentos políticos entremeam-se com o jargão futebolístico e logo ao principio da noite não há quem resista a um:

 

"Este é que é o meu Presidente! O Cavaco que vá pró *****!!" - sobre esse grande líder espiritual não-sei-bem-do-quê, Luís Filipe Vieira.

E a noite segue e a política também:

 

"Mais feliz, só se o *****  do Sócrates saltasse do poleiro!!Festejava até ao fim da semana!" - o que não era difícil numa semana muitíssimo tolerada no ponto e na religião.

"Agora quero ver se aqueles filhos ** **** nos continuam a baixar nos ratings!" - é o que sai logo a seguir sobre a temática financeira da UE -

 

E é assim, Portugal, por entre palavrões, domina outros assuntos muito além da bola e conquista, por via do Benfica, um novo alento para combater a crise. Nem imagino a depressão em que cairíamos caso o Braga alcançasse os seus intentos. Não haveria Papa que nos alimentasse a alma...