
Não vale a pena esconder a boa notícia que foi este crescimento no 1º trimestre. Não vale sequer minorá-la para com isso manter Sócrates a descoberto de ataques, pois, primeiro, não deve ser esse o caminho e segundo, nem o Primeiro-Ministro, nem o Governo, têm nada a ver com isto. O crescimento deve-se substancialmente a dois factores: aumento do consumo interno e aumento das exportações. E como sabemos, de declarações de interesses, vontades e retrocessos, más medidas e desnorteios nenhuma consequência advém que possa influenciar positivamente estes dois factores.
O consumo interno aumentou, sobretudo, graças a um aumento do rendimento disponível por via de da diminuição do sufoco dos empréstimos. E quem diminuiu a taxa de juro para mínimos históricos foi o BCE. O aumento das exportações dá-se, sobretudo, por aproveitamento do cenário cambial entre o Dólar e o Euro que beneficia bastante as nossas - europeias - transacções. Pouco mais foi que isto e como se vê não há dedo governamental.
Ora é justamente num destes aspectos, que promoveram este crescimento, que Sócrates se propõe cortar. Um aumento de impostos diminui o rendimento disponível, o consequente consumo interno e com ele lá se vai o crescimento. Se conjuntamente, tivermos, em resultado dos sinais que a UE tenta transmitir, um reequilibrio cambial, puff, eis-nos de regresso à cepa torta, onde mais ninguém tem nada para dar! É esta a falta de sustentabilidade de que se fala. É este o erro que se poderá pagar caro, por não controlarmos a despesa friamente.
