Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011
por João Maria Condeixa, em 9/2/11

Sobre a crise de gerações e a discussão que por aí anda sobre expectativas e heranças, em que uns se queixam de estar a deixar um país com mais estradas, pontes e letras do que aquele que recebeu - como se a tendência devesse ser ao contrário! - e outros se queixam do esforço que terão de fazer para ser um pouco mais que nada, talvez não seja má ideia ver a evolução dos alunos matriculados que se tem registado em Portugal nos últimos "30 anos":

Para quem é míope e não tem culpa da minha falta de jeito para colocar online gráficos desse excelente site que é o PORDATA passo a explicar: a geração que hoje se está a queixar de expectativas criadas e de ter viver num país com pés de barro é aquela que está a laranja. A geração do Ensino Superior, que explodiu pouco depois da entrada na UE e que foi desenvolvendo a mentalidade errada de que o canudo era a tábua de salvação, o emprego, o carro, a casa, o telemóvel topo de gama e o plasma que os paizinhos nunca tinham tido. Sim, essa mesma geração que agora tão convenientemente serve os propósitos do governo de combate ao desemprego ao perpetuar o seu percurso académico por entre pós-graduações, mestrados, doutoramentos e pós-docs que sabem que de pouco lhe servirá quando mais dia, menos dia, tiverem de enfrentar o mercado de trabalho, que em Portugal - também por culpa das opções políticas, mas não só - não acompanhou esse crescente de qualificação, queixa-se agora de ter sido enganada e defraudada.

 

Não assinou há 30 anos atrás nenhum contrato onde estivesse escrito que o seu futuro ia ser melhor, mas queixa-se. E muito embora se tenha deixado iludir e insista que tem direitos que nunca sequer lhe deviam ter sido encutidos - e esse é o seu maior mal - pode e deve queixar-se, pois essa sim, foi a melhor herança da geração anterior.

 

Se a geração "rasca", "500 euros","parva", "que vive em casa dos paizinhos", "à rasca" e outros tantos epítetos que lhe foram dando, se quer revoltar, pois que o faça. Deve é saber como. E uma das formas prioritárias deve ser denunciando o despesismo e compadrio que nos trouxe até aqui e que desperdiçou muitos dos fundos da UE, em vez de criar uma estrutura produtiva que desse sustentabilidade a Portugal. Deve ser isso que deve exigir e fazer. Pois se é verdade que não deve ter direito a herdar nada de mão beijada, também é verdade que não tem direito a herdar dívidas!

 

PS - o post vai longo, mas não queria deixar de alertar para a evolução que os primeiros ciclos têm vindo a sofrer - o decréscimo, como se vê no gráfico, tem sido acentuado - e para o GAP entre gerações que isso criará no futuro e que me parece não estar a ser acautelado.


publicado por João Maria Condeixa às 12:10
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