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República do Caústico

Tudo menos desinteressante

18.01.11, João Maria Condeixa

 

Se há coisa que o povo gosta é de discutir os políticos. Nada de políticas. A discutir o Homem é que o português está bem. Dos pêlos a mais que lhe saem pelas narinas e ouvidos, à decoração da casa que comprou no Algarve, sem esquecer as gravatas que usa, as galinhas com que se cruzou mundo fora, os dentes que não branqueia, o cabelo que lhe falta à frente, a profissão de operário que faz dele o candidato ideal, ainda que nunca mais a tenha exercido, a sofreguidão com que enfia bolo-rei na boca ou a forma como se declama si próprio e dispara purdeys sempre que vai às codornizes, tudo isto ao português interessa, suscita dúvida e gera discussão.

 

 

Por isso não percebo quando dizem que esta campanha está a ser desinteressante. Mais interessante para o português seria impossível. Discutiram-se livros de cheques, acções de empresas, publidade em revistas, fundos de maneio, contratos de promessa compra-e-venda, o vizinho deste e daquele e a prima do outro. Nada de política. Tudo acerca dos políticos. Foi uma verdadeira novela e isso, como prova o share televisivo, agrada aos portugueses. Vos garanto que seguiram cada episódio.

Por isso, apelidá-la de desinteressante é apenas um cliché a que os analistas se habituaram. A campanha, para quem gosta de política foi uma trampa, mas para o resto da malta foi do melhor. Até teve espaço para um tiririca lusitano!

Quanto ao voto, esse está decidido desde o primeiro momento: vai para aquele senhor de quem gostam mais!

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