
O emprego para a vida acabou. O curso que conduz a um emprego em específico, tal como ainda o conhecemos, também definha a cada ano. E isto assusta uma geração a quem obrigaram a atravessar o deserto da empregabilidade. Uma geração que pode estar perdida caso não entenda que não pode, nem deve, seguir os passos dos seus pais, ainda que estes os recomendem. Mas pensar, num momento em que o desemprego assombra cada esquina, em aumentar o grau de instabilidade, parece ser de loucos. Mas não é.
Felizmente nas Universidades - não de imediato em Portugal. Fossem os nossos velhos corporativistas e nunca teríamos embarcado em tal plano - houve quem visse o que se passava à volta e numa lufada de ar fresco, tenha feito a velha máquina acompanhar os tempos.
Bolonha não comprimiu apenas os cursos - embora neste aspecto tenha cometido alguns erros -. Bolonha trouxe a uma geração, aquilo que o mercado pedia: uma flexibilização tal, que permita ir adquirindo ferramentas abrangentes e vastas, para poder, ao longo da vida, ir traçando opções tão distintas quanto se queira e entenda. É óbvio que a adopção deste modelo não foi perfeita e que ainda há algumas arestas por limar, mas no essencial pode responder a um mundo em que o novo estudante, futuro trabalhador, terá de se mover.
Ainda que a empregabilidade deva servir como parâmetro de teste ao bom nome das instituições, hoje não é preocupante que os cursos com mais desemprego preencham todas as suas vagas, pois a formação já não se esgota ali. Há que ir mais longe e ir mutando percurso fora. Da mesma forma que ter mais 40% de diplomados em 2020 não é, por si, nenhuma solução milagrosa para o país, a não ser para os efeitos estatísticos que tanto atraem a governação socialista. O mundo mudou - não em 15 dias - e agora os canudos são um passo como tantos outros na vida de cada um. Não pode ser sobrestimado, mas deve ser tomado por gosto e vocação - este sim, o único critério que levará qualquer um mais longe, caso queira e se empenhe -.
E o que chove lá fora?
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