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República do Caústico

De um banho de mielina nasceu a mulher

26.08.10, João Maria Condeixa

 

Quando Deus criou a mulher, deixou-a cair num caldeirão de mielina, tornando-a, para todo o sempre, refém de acelerados impulsos nervosos. A mulher é uma cisterna gigante dessa substância verde e viscosa que aparentemente é responsável pela boa condução das descargas eléctricas que fazem de nós ser pensantes, actuantes e sensíveis.

 

São as mulheres que, da mais perfeita paz de alma, conseguem saltar para a histeria completa ao verem uma barata ou um rato. São elas que, da mais banal conversa de cabeleireiro, conseguem criar uma nervosa e apaixonante - para um público feminino, pois claro! - novela que dura dias e deve ser partilhada pelo maior número de amigas. São elas que, nervosamente, se queixam de terem ficado sem três dedos de cabelo quando tinham pedido para cortarem dois - who cares about an insignificant finger, when you're bold? -. São elas que, histericamente, saltam de uma gargalhada para mergulharem num choro descontrolado ao verem a Anatomia de Grey. São elas que conseguem ir aumentando o tom de voz à medida que o ponteiro da velocidade sobe. São as mulheres que arranjam um nervoso miudinho que as faz ficarem vigilantes noite dentro a tomar conta dos filhos sem parecerem cansadas no dia seguinte. São elas que descomprimem os nervos, num enervante e irritante ambiente de compras. São elas que jamais lançam para trás das costas tudo o que de banal lhes acontece da vida, mas que das verdadeiras tempestades tendem a reagir como se nada fosse.

 

São estes defeitos e algumas destas virtudes, que lhes resulta desse divino banho de mielina. Hoje deu-me para escrever sobre isso.

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