Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011
por João Maria Condeixa, em 1/9/11

Num encontro entre dois países europeus, um deles Portugal, a tradução das declarações da Chanceler Merkel é feita em brasileiro.


publicado por João Maria Condeixa às 12:31
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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011
por João Maria Condeixa, em 18/8/11

Há famílias que vivem sempre em crise e que por isso adiam eternamente soluções de investimento que lhes aliviem as despesas correntes.

 

A família Estado - que às vezes se vai esquecendo que é descendente do Zé Povinho - é disso maior exemplo. Embora seja a maior proprietária de imóveis em Portugal, muitos dos quais resultantes de doações com indicações específicas do uso a dar, não foi capaz de encontrar tempo ou dinheiro para se mudar de um imóvel arrendado para um que lhe pertença. Por isso, ao mesmo tempo que arrenda monstros, tem por outro lado imóveis seus a cair ou subaproveitados. Claro que a coisa obriga a um investimento, a remodelações físicas, a obras e dores de cabeça, a empate de capital e a levantar pó e a arredar cadeiras. Mas pelo menos ficaria com uma coisa sua, arranjada e apropriada aos seus interesses, em vez de arrendar a terceiros deitando, como se costuma dizer, dinheiro à rua.

 

O retorno a médio-prazo, mesmo que fosse a longo, estaria garantido. Mas tal como aquelas famílias que eternamente vão adiando decisões deste género, o Estado vê-se, agora sim, com a necessidade premente de poupar e de cortar nas despesas mas com a impossibilidade ou falta de fundos para investir e o fazer.

 

Faltou-nos sempre visão de longo prazo. Por isso gastamos 57 milhões de euros por ano em imóveis arrendados. Ao próximo balão de oxigénio talvez fosse importante pensar nisto.


publicado por João Maria Condeixa às 11:25
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Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011
por João Maria Condeixa, em 10/8/11

Substituam as lojas por árvores, os vândalos por pirómanos contratados, o betão pela floresta e digam lá se Portugal não sofre do mesmo mal a cada Verão que passa. Lá agravam a situação de todos pilhando as coisas dos outros. Cá agravam a situação de todos pegando fogo àquilo que também é seu.


publicado por João Maria Condeixa às 10:23
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Terça-feira, 9 de Agosto de 2011
por João Maria Condeixa, em 9/8/11

Perante a ameaça de uma nova crise mundial - se é que saimos da de 2008/2009 - , importa mais do que nunca reformar e reestruturar um país para se preparar para um embate na balança comercial com a diminuição das exportações. O que aí vem não é macio:

 

se por um lado sofremos cortes no crédito com os cortes no nosso rating e nos embrulhamos na nossa (in)sustentabilidade financeira, por outro passamos as passinhas do Algarve sempre que os outros sofrem cortes nos seus rating e diminuiem as importações, como comportamento de retracção económica.

Quando não se tem rating, não é líquido que a quebra de rating dos outros nos seja benéfica. Nem sequer para efeitos de "vingança bairrista".

O que aí vem não é mesmo macio.


publicado por João Maria Condeixa às 10:50
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Sábado, 9 de Julho de 2011
por João Maria Condeixa, em 9/7/11

 

Portugal é uma Siglolândia! Vive embrulhado em siglas e nele é rei, quem souber o seu significado, propósito e dotação orçamental!

 

É que por cá há Conselhos Nacionais para tudo e mais alguma coisa - que a bem dizer até podiam ser o CNPTEMAC -, Institutos para aquela e a outra área - conhecidos como os IPAEOA - , Comissões para isto e para aquilo - as CPIPA - as Confederações que representam aqueles todos - as CQRAT -, as Agências deste mundo e o outro - as ADMEOO - mas que todas juntas, e a avaliar pelo resultado presente, ou têm aconselhado mal, ou não tem sido ouvidas, ou então limitam-se a dar eco à meia dúzia de ideias originais que pontualmente chegam das bocas dessa outra catadupa de analistas e entendidos - quase tantos quantos as siglas deste país - que pululam na televisão.

 

Quando não se sabe, cria-se qualquer coisa deste género. De preferência com participação daqueles a quem já nos habituámos a pedir a opinião, pelo que o resultado prático será: mais do mesmo! E por aí se vai esvaindo parte dos orçamentos, quer o Geral do Estado, quer o das suas "comparticipadas" sem que nenhum, ou pouco, resultado inédito seja alcançado.

 

PS - Este post padece da defeito da generalização. Mas só assim se percebe o emaranhado em que Portugal vive sufocado.


publicado por João Maria Condeixa às 13:28
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
por João Maria Condeixa, em 6/7/11

Portugal por não ter gás não pode dar-se ao luxo de ter uma estrutura estatal como aquela que vi em Moscovo. Mais do que uma questão ideológica trata-se de uma postura pragmática de sobrevivência. Daí que a extinção e as fusões de alguns serviços sejam tão importantes e prioritárias.

 

Só que estas ao acontecerem lançam um custo sobre a taxa de desemprego - que pode subir - e sobre as responsabilidades sociais do Estado - que podem aumentar - num momento em que, já por si, toda a conjuntura alimenta a tendência destes dois factores. Mas não fazê-lo hipoteca ainda mais o futuro.

É preciso, portanto, coragem, mas também olho cirúrgico para que o corte não origine custos superiores, sejam eles financeiros ou de funcionamento. Mas estimando a gordura que temos, arriscaria a dizer que dificilmente atingiremos carne aos primeiros cortes, por isso força!


publicado por João Maria Condeixa às 19:28
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por João Maria Condeixa, em 6/7/11

Visto de longe, o Museu Tetryakov em Moscovo parece uma grande superfície capaz de concorrer com o Continente da Amadora ou o Jumbo de Gaia, mas sem terreno para estacionamento. Também não tem à porta a azáfama de entra-e-sai domingueira e a falta de sacos de plástico cheios de compras denuncia que ali não vamos encontrar lineares repletos de latas de atum.

 

Lá dentro está o recheio de um Museu de Arte Contemporânea bastante bom e surpreendente - não tão bom quanto o Pushkin, mas bom - e um exército de trabalhadores. Ora, era aqui que eu queria chegar, o resto foi latim acessório, desculpem!

 

Atrás do balcão do bengaleiro, 7 pessoas - 7! -aguardam a clientela que escasseia. De tal maneira que essas 7 pessoas se debruçam sobre o único molho de casacos que peço para guardar, como se de um bolo de chocolate numa creche se tratasse. Ao longo dos corredores outros tantos funcionários - quase tantos como o nº de ovos Fabergé do Kremlin - vão zelando pelos quadros e pelas estatísticas de desemprego moscovitas, que calculo que sejam reduzidíssimas. Lá fora, na rua, deixámos em cada esquina um varredor do Estado a limpar à vassourada aquilo que uma só máquina faria em vários quarteirões. Varre, com certeza, para debaixo do tapete, a ideia que todo aquele monstro poderá não ser muito sustentável. Só que a Rússia tem gás. E por isso vai continuar a marimbar-se. Mas país que não tem gás, não tem vícios. Hope you get my point.

 

(continua...)


publicado por João Maria Condeixa às 09:29
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Terça-feira, 14 de Junho de 2011
por João Maria Condeixa, em 14/6/11

Os portugueses não entendem Fernando Pessoa. Eu falo por mim e pela dificuldade que tenho em entender tudo o que dele vou lendo. Escapa-me. É triste termos tamanho génio sem que o compreendamos. Pior é com isso nos darmos por satisfeitos. Faz falta uma cultura pessoana, um motor que fomente a sua leitura e compreensão. E não a reclamem ao Estado:

 

Ontem ao entrar na Bertrand para comprar um qualquer livro passei pela estante da poesia sem que nada me saltasse à vista. Nem um único livro ou lembrete sobre o aniversário do poeta. A verdade é que muitas vezes o marketing falha onde mais nos faz falta. Nisso, o Google fez mais num dia que um grupo de professores numa década.

 

E com esta postura não é de estranhar que não o celebremos como devíamos ou que não o compreendamos. Enquanto isso o Brasil vai por ele se enamorando ao ponto de me espantar com o número de pessoas que o citam, conhecem e já o percebem. Por cá seguimos antes a máxima: casa de ferreiro, espeto de pau. 


publicado por João Maria Condeixa às 09:13
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Segunda-feira, 13 de Junho de 2011
por João Maria Condeixa, em 13/6/11

Pra mim tanto me faz qual é a mai lindé: se é Alfama, a Madragoa, a Bica ou o Castelo. Eu gosto é daquela fumarada da sardinha misturada c'a  da bifana, tudo servido numa molhada de gente alegre e bem disposta que berra mais do que aquilo que fala e que grita mais do que aquilo que berra.

 

Gosto do bailarico que repete vezes sem conta o "..passo o dia a sonhar contigo.." do grande Tony, sobretudo quando em versão medley interminável tocada pelo órgão korg de um anafadinho que, suado, com gotas a escorrerem-lhe até à boca, vai salpicando o microfone a cada palavra que diz.

 

Gosto de ver o cai-cai que muito boa rapariga insiste em usar nestes dias, ainda que a caixa peitoral a isso não permita e a obrigue a andar noite inteira a apanhá-las aqui e ali a cada gesto e salto que dá. A sério que gosto!

 

Gosto da malta mitra que com o cabelo em crista e brilhantes à Ronaldo, insiste em contrariar todos os hábitos dos seus progenitores, sobretudo no que à indumentária diz respeito, mas que depois não dispensa meter a mão na cintura da dama para bailar ao som da pimbalhada que passa no momento. É caso para dizer: props pró pessoal que curte essa cena do apitó-quimbóie! 

 

Gosto do niga que esquece a tarrachinha por um dia e abana o quadril ao som dos santos populares e que quando lhe perguntam donde é, com a estupefacção de quem o acha desenquadrado, ele responde e bem: de Lisboa! Que é pra que não hajam dúvidas!

 

Gosto das caras de desilusão e de alegria daqueles que desfilaram nas marchas e que hoje se embebedam a festejar ou a discutir como é que ganham pró ano.

 

Faz-me bem a entremeada repleta de sal e gordura que escapou aos paternalistas da saúde que não percebem que aquilo que poupam em cardiovasculares gastam em psicoterapias, reguladores de humor e prozacs desta vida.

 

Para mim os Santos são isto. Isto e andar quilómetros a pé por uma cidade que não foi feita para isso ainda que alguns insistam que as bicicletas deviam imperar. Pedalem vocês que depois de ontem não estou em condições! E imagino que não seja o único...


publicado por João Maria Condeixa às 16:00
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Sexta-feira, 10 de Junho de 2011
por João Maria Condeixa, em 10/6/11

À luz do jornal i, resolvo aqui publicar o testemunho de alguém que olha o nosso país de fora e em duas linhas o aceita descrever. A verdade é que podia ter ido mais longe. Portugal chega muito mais longe. Mas na República Checa tem uma legião de fãs. Aqui fica um testemunho de uma delas:

When I visited Portugal for the first time I felt like home. We dont have the beautiful ocean, sunsets over the sandy cliffs, tasty pasteles, incredible red wine and lisping singing language which I adore. I felt I had known all this for a long time. So after the first visit, I knew it was definately not the last. Marketa Benesova, Prague Czech republic, age 30, production.

Para a Marketa um grande "Dobrý Deň"!


publicado por João Maria Condeixa às 21:17
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
por João Maria Condeixa, em 30/5/11

O biqueiro do Marco do Big Brother na outra em directo para a TV não coloca em prisão preventiva a TVI e 3/4 da população portuguesa que vibrou com a cena?


publicado por João Maria Condeixa às 15:28
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

Não é justo, na zona do Chiado as casas estão cada vez menos degradadas! Aparentemente estão a ser revitalizadas, recuperadas e reabitadas. E a preços altíssimos a que as pessoas se dispõem a pagar. E eu queria uma!

 

Isto do mercado ditar por onde quer ir tem de acabar. Tínhamos quase tudo para aquela ser uma zona barata: complicámos a vida ao arrendatário, desincentivámos o arrendamento, burocratizámos e inviabilizámos qualquer obra de recuperação pelo proprietário e agora que a JSD tinha uma proposta trotskista para a venda forçada de imóveis degradados ou abandonados para arrendamento a jovens - acho que podiam ter ido mais longe e proposto mesmo a "okupação"! - percebemos que no Chiado já está tudo a ficar impecável e habitado! E eu queria lá uma! E das baratinhas...

 

Sobre isto, aqui está a melhor frase que encontrei sobre o assunto: "dá sempre jeito criar dificuldades para vender facilidades." por André Azevedo Alves.


publicado por João Maria Condeixa às 21:23
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por João Maria Condeixa, em 25/5/11

Estava aqui a pensar que o acordo com a Troika tinha esvaziado a discussão sobre projectos e propostas políticas. Depois pensei um bocadinho mais - aparentemente é possível - e percebi que estava errado: esta não é uma campanha diferente!

 

Dificilmente se discutem as políticas longe dos fait-divers e é esse o tempero de uma campanha. Aquilo que lhe dá vida. Por isso a Troika não veio esvaziar nada e muito menos limitar discussões. Apenas veio comprometer programas com a sua execução, coisa que depois das últimas eleições se previa dificil de conseguir. Aquilo a que hoje se propõem, terão minimamente de cumprir. E puff lá se foram os outdoors das metas folclóricas!

Se repararem bem só aqueles que não se comprometeram com a Troika (BE e PCP) é que têm objectivos surreais espalhados em letras garrafais pelo país. São eles os demagógicos destas eleições e superam largamente a promessa dos 150 000 empregos de José Sócrates.

 

Mas dizia, de resto tudo se manteve. Entre empurrões, vitupérios e epítetos menos próprios, lá se vai discutindo aquilo que é de principal importância mas de somenos interesse para discutir no café ou à hora de almoço. Só que há um reparo grande a fazer: para que conste, nomeações ocultas e défices escondidos não são pormenores, mas antes a pegada de um modus operandi, de uma maneira de estar na política e de um perfil a que José Sócrates nos habituou. E isso é matéria de discussão e de julgamento na urna.


publicado por João Maria Condeixa às 09:28
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2011
por João Maria Condeixa, em 20/4/11

Não me lembro de ter alguma visto um Primeiro-Ministro tão ridicularizado, tão acusado e com uma credibilidade tão posta em causa. E Santana Lopes? - perguntarão. Nem esse!

 

E ainda assim este Primeiro-Ministro é bem capaz de voltar a ganhar as eleições.


publicado por João Maria Condeixa às 11:52
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Terça-feira, 5 de Abril de 2011
por João Maria Condeixa, em 5/4/11

Os portugueses gostam de enganar o Estado, sobretudo quando for ele próprio a pedi-lo, para poder depois enganá-los a eles. Eu explico tamanha complexidade: ao formular uma pergunta daquela forma sobre os recibos verdes, o Estado está a pedir aos portugueses que respondam ocultando a verdade, considerando legal aquilo que é ilegal, para depois poder ser ele a ocultar a verdade nas estatísticas e pintar uma realidade bem mais risonha. É, pois, uma espécie de peneira comum e colectiva para a qual todos contribuímos para tapar o Sol. É o português no seu melhor.


publicado por João Maria Condeixa às 16:38
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