Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010
por João Maria Condeixa, em 17/11/10

"Quando as pessoas não recebem nada são mais activas a procurar trabalho. O tempo médio de permanência no desemprego das pessoas que não são subsidiadas (...) é inferior a um ano, enquanto nas pessoas que recebem é superior a dois. É um facto que cerca de 70% das pessoas que não arranjam trabalho durante os dois anos e tal em que receberam subsídio acabam por o conseguir menos de um ano depois de terem deixado de receber. E isso, no mínimo, é estranho."

 

Francisco Madelino, Presidente do IEFP ao Expresso deste fim-de-semana passado.


publicado por João Maria Condeixa às 09:15
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Terça-feira, 7 de Setembro de 2010
por João Maria Condeixa, em 7/9/10

 

Hoje à tarde, fora de Lisboa, petisquei a meio da tarde um salgado presunto caseiro embrulhado em pão, também ele caseiro, pepitado por cloreto de sódio à moda antiga. Estou vivo, sem temer o amanhã e radiante por ter saboreado qualquer coisa sem aditivos, conservantes, mercúrios e estabilizantes, indutores de cheiro e sabores, quartzo, feldspato, mica e monóxido de carbono.

 

PS - o senhor que me serviu que, desconfio, sempre se alimentou daquilo, tinha 83 anos e sorria mais do que vocês que fizeram leis tão promotoras da minha saúde.


publicado por João Maria Condeixa às 20:20
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Sábado, 14 de Agosto de 2010

Até acredito que não seja essa a intenção do Luís Rainha ao escrever este post, mas a verdade é que denuncia - e bem - as consequências destes intervencionismos esquizofrénicos pontuais do Estado. Sempre a custo dos próprios, vamos tentando responder àquilo que o Estado, em determinado momento, para responder a um problema em concreto, sem qualquer plano a longo prazo, definiu ser a resposta: num momento mandou arborizar, senão expropriaria. Noutro momento, pensa em desmatar, caso contrário também expropria.

 

É no que dá estarmos tão pendurados no Estado. Em vez de, como noutros países, ser o privado a acautelar o bem comum, como por exemplo, a conservação da estrada à frente de casa, a manutenção dos baldios circundantes, etc. preferimos ter o Estado a invadir aquilo que é nosso e a ditar, ao sabor do vento, o que no momento lhe convém.

 

Em vez de ser a esfera privada a articular-se para construir a pública, temos, sempre sob o pretexto do objectivo nacional ,a liberdade individual a amolecer e a ser descascada.

 

As florestas também ardem por preferirmos que outro - o Estado - faça. E como é sabido: quem quer faz, quem não quer, manda!


publicado por João Maria Condeixa às 15:18
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Quarta-feira, 21 de Julho de 2010
por João Maria Condeixa, em 21/7/10

Não foi só o "É frutóóóchocolate!" que morreu. Muitos outros pregões desapareceram. Uns vítimas do tempo e da concorrência, outros vítimas da ASAE que me quer salvar a vida, pôr menos hipertenso, deixar-me mais esbelto e escultural - como se isso fosse possível num Adónis como eu! - , mas que mergulha na clandestinidade centenas de vendedores ambulantes que nos tiram a sede e matam a fome.

 

É vê-los, de telemóvel em riste, comunicando uns com os outros para escapar à ofensiva higienofascista, agachando-se na areia como se estivessem na Normandia, rebolando por entre as dunas e gritando em murmúrio o que têm para vender. Esqueçam os pregões de peito cheio, de voz e esforço quase lírico. A ASAE matou-os a todos:

 

- É frutóóóóchocolat(e)! - favor notar que o último "E" é mudo. Killed In Action pela ASAE.

- Olhó Nogá! 3, cem, 3 cem! - este morreu com o escudo, mas a ASAE não permitiu que o seu sucessor vingasse.

- Olááááá fresquinho!!! - um símbolo morto. Um case study de marketing desfeito pela ASAE.

- Olhá a bolinha de Berlimm!!! - agora só sem creme, com saco de plástico (que não polui nada, pois claro!) e mesmo assim são apreendidas às centenas.

- Olhá a "linguéé" da Sogra!! - se fosse a humana, ainda se festejava a sua extinção, agora aquele canudo amolecido pelo calor, sal e areia - como a batata frita da praia, que ganha sabor único - faz cá muita falta!

 

É assim o mundo pós-higiénico. Mudo e sem cheta!


publicado por João Maria Condeixa às 14:49
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Sexta-feira, 30 de Abril de 2010
por João Maria Condeixa, em 30/4/10

Experimentem registar um bezerro. Sim, é isso que estão a pensar, experimentem registar um animal cujo o nascimento desperte curiosidade junto da Direcção Geral de Veterinária e da União Europeia. A seguir experimentem registar um bebé, um ser humano pequenino e de pele rosada. O primeiro deu-vos mil vezes mais trabalho, obrigou-vos a recorrer a 3 sítios diferentes, a recolher e preencher diferentes formulários e a prestar declarações anuais para receber uma pequena contribuição, certo? O segundo, que irá morrer muito mais tarde e que faz parte de uma sociedade que se diz organizada e vítima do big-brother e de um permanente voyeurismo, consegue-se registar num simplex piscar de olhos, certo? E porquê?

 

Porque a União Europeia diz que o consumidor tem direito a almejar ser perfeito e saudável e por isso tem de saber tudo e mais alguma coisa sobre o bifinho que virá a cortar a custos controlados. E por isso existe a burocrática e legisladora PAC e a exímia cumpridora DGV Portuguesa.

 

Mas não contentes, agora vão mais longe: dentro em breve será necessário constar, pormenorizadamente, em etiquetas longas, parametrizadas e visíveis, toda a informação sobre a ração que irá alimentar os animais, também conhecidos como, futuro alimento do consumidorzinho-extremamente-saudável. Tudo: composição, fórmula, percentagem, lote e outras infindáveis informações - só não trará quanto deve o fabricante ao fisco -.

Tudo a bem da rastreabilidade e da saúde do consumidor que se quer perfeito, mas que é o mesmo que bebe uma Coca-Cola sem desconfiar do que é feita, com gelo de uma torneira cheia de cloro e outras porcarias e por um limão que também já foi mais torto e irregular ou não se tratasse ele de um produto agrícola. A UE aperta com a agricultura esquecendo que com tanta exigência qualquer dia não há fábrica, agricultor, nem economia que aguente e aí lá se vai o ser humano esbelto e espadaúdo. Fica só magro e atafulhado entre impressos e papeladas.

 

E se fossem regular, minimamente, antes aquilo que deviam e que nos trouxe a esta crise e pusessem, antes, o Vítor Constâncio, aquele que nada regula, neste sector?

 

Como disse alguém acerca destas ideias luminosas: "Isto só lá vai com vasectomias e preservativos. É que há demasiados gajos neste mundo sem nada com que se entreter!"


publicado por João Maria Condeixa às 10:03
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Terça-feira, 30 de Março de 2010
por João Maria Condeixa, em 30/3/10

 

É por aqui que as pessoas julgam o governo como "desnorteado". Quando o vêem assumir com convicção a máxima socialista de que temos de estar junto com a população a suportar-lhes as dores, custe o que custar, pese embora ao contribuinte que já está esfalfado, etc.etc, porque é esse o dever do Estado de proteger tudo e todos e sustentar-lhes a crise, etc., etc. ,custe o que custar, e que o Estado, como Alá, é grande e dá emprego, saúde, desenvolvimento, auto-estradas, TGVs, Aeroportos, custe o que custar, etc., etc. e que não se pode deixar cair BPNs nem as suas dívidas e há que injectar lá fundos, custe o que custar, etc., etc. sem fazer as contas e que há é que remodelar as escolas e equipá-las com alta tecnologia custe o que custar, etc., etc., porque - ufa, estava a ficar sem fôlego - amanhã nasce o novo homem e será socialista. De "desnorteado", dizia eu e apelidam tantos outros, porque no dia seguinte, lembra-se que a crise está aí, que o Estado tem de ser mais eficiente e tem optar por uma política com serviços de qualidade e que se o número de doentes não o justifica então há que fechar as urgências porque o dinheiro não chega para tudo.


publicado por João Maria Condeixa às 22:50
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Segunda-feira, 1 de Março de 2010
por João Maria Condeixa, em 1/3/10

As crises também se medem nos pequenos pormenores e hoje vejo, no restaurante onde almoço, diariamente, que a corrida às mesas já não é a mesma de há um ano atrás. É com relativa descontracção e calma que consigo ir até à esquina enfiar um bifinho cheio de molho de natas goela abaixo, para depois o rematar com um tradicional pastel de nata. A crise de uns, a oportunidade de outros.

 

Mas a verdade é que, em dominó, a economia vai perdendo força. Retraíram-se os almoços, retraíram-se as necessidades do restaurante, retraíram-se os seus fornecedores e no fim da cadeia alimentar (podia o termo ser mais apropriado?) retrai-se o produtor.

 

Pelo meio, milhares de desempregados que indo à procura de oferta se deparam com outra retracção, a da procura de mão-de-obra.  E tudo porque a maioria das empresas, ou desconhece o dia de amanhã para admitir mais pessoal, ou porque amanhã vão ter é de dispensar trabalhadores ou então porque já colocaram à porta um eterno "volto já".

 

E, por muito que custe dizê-lo, é este o letreiro que um dia será posto ao Estado se continuar a canalizar fundos para apoio directo ao desemprego em vez de apoiar as empresas que geram economia e criam postos de trabalho. E não, não falo de acabar com o RSI, mas sim de traçar como prioridade das prioridades, o fomento aos que sobrevivendo poderão ajudar tantos outros a sobreviver.

 

O Nanny State sozinho não resolve a crise. Pode até tentar, mas mais tarde ou mais cedo terá de pendurar à porta um "trespassa-se".


publicado por João Maria Condeixa às 21:22
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