Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011
por João Maria Condeixa, em 1/8/11

São as águas de Agosto fechando o verão, é a promessa de fúria no teu coração!!


publicado por João Maria Condeixa às 11:02
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Domingo, 22 de Maio de 2011
por João Maria Condeixa, em 22/5/11
Troca-se T4 em Lisboa por qualquer estação de metro da cidade de Moscovo. Até pela mais pobrezinha..

publicado por João Maria Condeixa às 08:57
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
por João Maria Condeixa, em 18/5/11

A coisa mais surpreendente por estes lados não está no túmulo de Lenine - senhor que passou hoje por mim várias vezes - nem em nenhuma Matrioska - por maior que seja - nem nas esbeltas pernas das senhoras russas, que insistem em usar saltos altos até ao rabo e cintos tão estreitos quanto o meu. Está na exposição solar. Aqui isso compreende, por esta altura, 19 horas de Sol, pois o Astro acorda às 3 e pouco da madrugada e põe-se às dez e muito da noite. Uma brincadeira que sabia em teoria mas que na prática se mostra mesmo surpreendente.

 

Imagine-se agora o Sol da meia-noite..


publicado por João Maria Condeixa às 21:12
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Terça-feira, 17 de Maio de 2011
por João Maria Condeixa, em 17/5/11

 

Vou só ali num pé a Moscovo e volto noutro. Digam ao camarada Jerónimo que lhe trago uma Matrioska e umas fotografias de telemóvel para ele se aperceber que até aquele mundo mudou. Quanto ao meu voto estejam descansados: a não ser que o túmulo de Lenine tenha uma maldição, está definido faz tempo e não pende para os lados do morto..

 


publicado por João Maria Condeixa às 05:21
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Sábado, 5 de Março de 2011
por João Maria Condeixa, em 5/3/11

[post anterior]

É dia de dar o salto ao outro lado do muro! A curiosidade em descobrir a Palestina e aqueles que a habitam adia a descoberta da restante Jerusalém e o pequeno-almoço é tomado nas portas de Damasco, sob o súbito impulso nervoso de quem, há segundos, se propôs a desbravar um território que aprendeu a temer e a olhar com estranheza. A ansiedade invade-me o corpo e a falafel com húmus e sopa de grão-de-bico, que já de si é indigesta o suficiente para ser tragada às seis da manhã, é rejeitada à medida que sonho sobre o que irei encontrar do lado de lá.

 

Israel é seguramente o único país do mundo a receber o inimigo para, diariamente, ali vir trabalhar. Quero saber como o fazem e por onde passam. Não quero nada de turístico ou politicamente tendencioso - nem para um lado, nem para o outro - e pergunto se existem autocarros para Ramallah. Lá me explicam onde tenho de apanhar o 18, um autocarro (sherut) verde palestiniano que faz Jerusalém-Ramallah em meia hora por seis shekels e meio.

 

A Nablus Road onde pergunto pelo 18 está vigiada por soldados israelitas de M16 a tiracolo e apoiados por um carro de combate. Naqueles autocarros já só entram palestinianos. Os Israelitas não querem, nem podem entrar. Eu compro o bilhete e sento-me no primeiro lugar vazio que vejo. Os presentes, estarrecidos, olham-me em silêncio. "Deve ser por ser turista" - penso para mim. Nisto, a rapariga que estava ao meu lado levanta-se e troca de lugar com um rapaz que, só de olhar e sem palavras, me explica o erro que cometera. A partir dali só homens ao lado de homens. Lição aprendida.

 

A viagem até Ramallah é rápida mas carregada de uma tensão produzida apenas nas minhas glândulas. Todos os outros agem com naturalidade, inclusive, tal é o hábito, quando chegamos ao muro de betão gigantesco que divide os dois povos.  Parar no checkpoint estaria reservado apenas para a viagem de regresso. O cheiro das especiarias árabes carrega o ambiente e lá fora o pó branco calcário encobre aquilo que ameaça ser a capital do território palestiniano. À entrada da cidade, o caos e , frenesim típico daqueles povos. Sem ordem, tanto vendem na estrada, como nos passeios ou nas lojas, azeite feito na hora, pão pita cozido no segundo ou carne de vaca pendurada, por inteiro, ali bem à nossa frente e por entre as moscas e o dióxido de carbono dos escapes. Chegado à praça principal oiço um "You're most welcome here!" vindo dos pulmões das crianças que, empoleiradas na estátua que faz a vez do Marquês de Pombal lá do sítio, teimam em não prestar atenção à balbúrdia de trânsito que gira à volta da rotunda onde escolheram vir brincar. Olho para todos com quem me cruzo. Nem uma única mulher me fita os olhos e todas viram a cara à minha objectiva. Nas montras, a mistura do tradicional com marcas ocidentais divertem-me pelo inesperado que constituem. O barulho é ensurdecedor e só encontra rival dentro dos cafés onde os velhos discutem em árabe enquanto fumam cachimbo de água. Mais uma vez oiço em inglês - parecendo frase da praxe decorada - que sou ali muito bem-vindo, embora a minha máquina fotográfica os intimide ou provoque até. A capital palestiniana é pequena, desarrumada, pobre e estranha para um Europeu. Em nada se parece com o povo Israelita que é organizado, metódico, ocidentalizado e economicamente muito mais desafogado. Passar aquela fronteira é mudar de continente e de civilizações.

 

Se nos deixa boquiabertos Israel deixar entrar nos seus limites o inimigo para trabalhar, não deixa de ser verdade que a mão-de-obra barata, sobre a qual não têm quaisquer responsabilidades sociais, também lhes é conveniente. Nalgumas coisas há ali, naquela zona, um mutualismo que os noticiários não nos sabem transmitir, que nos surpreende e mantêm vivos os dois lados da barricada.

 

continua...


publicado por João Maria Condeixa às 19:40
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Domingo, 13 de Fevereiro de 2011
por João Maria Condeixa, em 13/2/11

(Santo Sepulcro, Igreja do Santo Sepulcro, Jerusalém, Israel)

[post anterior]

Continuo viagem por entre o cardume de pessoas que segue em contra-mão. Perco-me com os diferentes cheiros, cores e credos que compõem Jerusalém. Mais tarde, já dentro da Igreja do Santo Sepulcro, quando toco a marca que se diz ser o "Centro da Terra", tudo se torna lógico: a Terra gravita sobre o seu centro e quanto mais próximo estamos desse ponto magnético, mais densa se torna a nuvem destes electrões humanos. Todos diferentes, todos numa imensa azáfama e hipercarregados de energia.

E é toda essa actividade que quase apaga o impacto religioso da cidade velha. Percorro a Via Sacra sem falhas e por ordem, cruzando-me com multidões de japoneses a tirarem fotos e a carregarem cruzes de fantochada; entro, por instantes, no Santo Sepulcro depois de ter estado 3 horas numa fila que se empurrava, acotevelava e vilipendiava a cada segundo; subo ao Monte do Calvário, controlado por uns brutos monges gregos ortodoxos, para ver de fugida o local onde Cristo foi cruxificado; e desvio-me de visitas guiadas à entrada dos jardins onde terá sido a última ceia. Tudo fica à distância de uma centena de passos e raros, muito raros, são os momentos em que nos sentimos sozinhos. Os fiéis matam qualquer experiência de fé que se queira ter, já que com tamanho frenezim a introspecção se torna impossível e apenas se sacia a fome de curiosidade. A de espírito remete-se para mais tarde, já no regresso a casa.

 

(continua...)


publicado por João Maria Condeixa às 13:05
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Domingo, 30 de Janeiro de 2011
por João Maria Condeixa, em 30/1/11

(fotografia tirada no Planalto de Masada- Out 2010)

É raro conseguir falar de imediato sobre uma viagem. Tenho primeiro de as mastigar e ganhar-lhes distância para as compreender e depois falar sobre elas. Dirão: "ah, mas eu quando vou na excursão atolhado de rapaziada amiga falamos logo sobre o que estamos a ver e não sinto nenhum desses constrangimentos existencialistas de meia-tigela. E chegado a Portugal é um debitar de fotografias e narrar de histórias intermináveis e gargalhadas entre uns e outros sobre aquilo que se passou!" Pois, talvez em grupo e excursão organizada, assim seja. Mas por isso é que eu viajo sempre sozinho e sem planos de maior previamemente pensados. A única certeza: o aeroporto em que aterro e donde levanto voô para regressar.

Com o Médio-Oriente não foi excepção e só agora, volvidos 4 meses é que percebi por onde andei, o que senti e donde me vem a vontade de lá voltar. Quer isto dizer que está na hora de pôr a escrita em dia:

 

Aterrar em Tel-Aviv tem toda aquela carga de expectativa de quem saiu da Europa - esse jardim dos fundos de casa dos nossos avós que nos é familiar - mas à qual somamos a expectativa de estarmos prestes a visitar um território carregado de histórias de conflitos armados, medidas de segurança no extremo e códigos de comportamento daí resultantes muito diferentes dos nossos. Expectativas essas, que não saem defraudadas. Quando chegamos ao Ben Gurion - Aeroporto de Tel Aviv -  muito embora a organização seja totalmente ocidentalizada, a decoração e qualidade das infra-estruturas seja totalmente europeísta e a multidão de pessoas tenha feições semelhantes às que estamos habituados, somos invadidos pela apreensão de quem não está acostumado a cruzar-se de 10 em 10 metros com militares armados de M-16 a tiracolo. São baixos, robustos, seráficos e sisudos. E é a uma dessas personagens, por sinal uma rapariga bem gira de uniforme mas com cara de quem nunca perdeu a jogar "ao sério", que temos de explicar, bem explicadinho, a razão da nossa visita. Ela com facilidade relativa - eu também tinha feito a barba e não tinha aquele ar de Mouro que a rapaziada do Porto insiste em me atribuir - lá nos deixa passar e dá-nos acesso ao bafo respirável, embora tremendamente quente, de Israel!

 

Pronto para dar início à aventura..

 

(continua)


publicado por João Maria Condeixa às 11:02
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010
por João Maria Condeixa, em 13/10/10

Vou de férias, finalmente. Espero, nas voltas que vou dar, poder deixar-vos testemunhos do que por lá se passa. Palestina e Jordânia, incluido. A ver vamos. Shalom


publicado por João Maria Condeixa às 15:10
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010
por João Maria Condeixa, em 16/8/10

"E ainda dizem que estamos em crise!" - é das exclamações mais irónicas que se ouve ou que se diz sempre que se vêem hotéis de luxo cheios, carros de alta cilindrada acabados de chegar do stand, garrafas de vinho procuradas incansavelmente a preços exorbitantes. Mas a crise está aí e a partir de agora tentarei dar exemplos disso.

 

A primeira prova disso foi ter vindo do Meco, ontem, num domingo, fim da quinzena de Agosto, cheio de medo do trânsito que iria apanhar à entrada da ponte, para depois cair no alívio - felizmente - de não ver cardumes de carros e perceber que os que lá se encontravam vinham, em grande maioria, da Costa da Caparica. Nada de Algarves. Tudo pelas praias da Costa. Não há dinheiro para mais.


publicado por João Maria Condeixa às 09:18
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