Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
por João Maria Condeixa, em 17/10/11

No dia em que é anunciado um corte de 30% nos salários das Empresas Públicas, o Primeiro-Ministro é posto, por estas mesmas razões - pasme-se! - no "vermelho".

 

Pediram-se cortes, gritava-se pelos cortes, tardavam os cortes e eis que chegados a eles, berra-se contra os cortes! Por acaso já previa isto.

 

Da mesma forma que já previa que aqueles que vociferaram contra a TSU, passassem a ser dela os seus maiores adoradores. Queixam-se agora dela ter permanecido inalterada, esquecendo que, sem onerar a Segurança Social, foi encontrada uma solução que visa, tal como era pretendido, diminuir os custos de trabalho para as empresas. Em vez da descida da TSU ser convertida em carros novos para o "patronato" aumentou-se em meia hora o dia de trabalho conseguindo diluir os custos e aumentar a competitividade.

 

Nada poderá ficar como antes se querem que os cortes - como até aqui tem acontecido - não sejam mera maquilhagem. Ou se corta realmente na despesa com vista à consolidação das contas públicas ou se aumentam impostos ou então, não se respeita o acordo com a troika e aí nem salários se pagam por não haver dinheiro para isso.

 

Parte deste Orçamento de Estado, no que à despesa diz respeito - que devia ter sido feito no PEC I, em vez de com optimismo se ter preferido ignorar a crise e os erros de um país, o que agravou e muito a factura - é o que se mandou em Dezembro passado, por carta, ao Pai Natal. Não nos queixemos agora do que pedimos.


publicado por João Maria Condeixa às 22:52
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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011
por João Maria Condeixa, em 3/10/11

O que Alberto João Jardim fez, o PS e José Sócrates e os últimos governos em Portugal também fizeram, indo para além das suas possibilidades, gastando para lá daquilo que produziam, hipotecando, sem olhar a um crescimento sustentável, o futuro que se avizinhava.

Com isto não pretendo defender AJJ - aliás, se interessados houver, bastará verem posts anteriores sobre a questão da Madeira para perceberem que estou longe de desculpar o senhor -  mas a verdade é que ele não fez o que outros não tenham também feito. Só que, como ouvi bastantes vezes em novo: "com o mal dos outros posso eu bem!". Portugal não pode continuar por este caminho, por muitos ou poucos, que o pratiquem. Por muito irrelevantes ou importantes que sejam os arautos keynesianos, Portugal não pode voltar a gastar para lá das suas possibilidades.

 

Mas a última palavra cabe ao povo, ao eleitorado. E o povo não gosta de ser contrariado e perante cavalo dado não olha o dente. Razão pela qual não estranhe, nem questione, o crescimento exacerbado, a parafernália de obras públicas, a pertinência do investimento. Conquanto for vendo obra feita, para ele, eleitorado, está tudo bem. Mesmo em casos limite, como foi o de Isaltino, em que o PSD lhe retirou - e bem - a confiança política e o eleitorado - mal - o reelegeu. O eleitorado tem um fetiche para o voto do betão. Mesmo que este lhe venha a sair caro.

 

O eleitorado prefere adiar sacrifícios e, como Alberto João Jardim, pagar mais tarde. Mesmo que isso represente uma factura bem mais cara.

Só que esse comportamento, seja no continente ou nas ilhas, já devia ter os dias contados faz tempo.


publicado por João Maria Condeixa às 12:15
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011
por João Maria Condeixa, em 25/8/11

My name is Rico, Amé..Rico!


publicado por João Maria Condeixa às 22:01
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por João Maria Condeixa, em 25/8/11

Amorim diz não ser rico, mas antes trabalhador. Eu digo o mesmo. Só que ao contrário de mim ele pode acreditar totalmente na minha afirmação.

 

Mas se esta afirmação foi infeliz, todas as outras, nacionais ou estrangeiras, não o foram menos. Em vez de dizerem que sim e de se armarem em beneméritos de circunstância - pois se o quisessem mesmo ser já podiam ter feito avultadas doações sem que nada os impedisse - deveriam antes ter dito que não andam a gerar riqueza para alimentar vícios de ricos e que enquanto o Estado não aprender a conter a sua despesa, a gastar apenas o que tem, a aumentar a eficiência redistributiva e o retorno dos seus impostos, então não valerá a pena contar com eles mais do que já conta.  

 

Não o terem feito é darem espaço a que hoje sejam taxados os super-ricos, amanhã os muito-ricos, depois de amanhã os ricos-assim-assim and so on, até ao último da cadeia alimentar, sem que o Estado - esse que precisa de ser educado - emagreça tanto quanto se deseja!

 

Os ricos já contribuem proporcionalmente mais, de acordo com os seus rendimentos, para o sistema. A prioridade sim, deve ser a diminuição do Estado e das suas superfluidades e o combate à evasão fiscal. Só assim vamos lá sem que amanhã nos voltem a pedir mais e mais.


publicado por João Maria Condeixa às 11:09
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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011
por João Maria Condeixa, em 22/8/11

O melhor indicador de cortes na despesa e na estrutura do Estado é a discussão ideológica. Quanto maior esta for, maior será o corte. Quanto mais se falar em Hobbes, Locke e Rousseau, mais profunda e estudada promete ser a coisa. Portugal deve ser o único país do mundo onde a receita para as finanças sai de um livro de ciência política.


publicado por João Maria Condeixa às 14:22
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Sábado, 20 de Agosto de 2011
por João Maria Condeixa, em 20/8/11

O monopólio - inexistente - das IPSS preocupa a CGTP, mas os do Estado - e são tantos e reais - já não! Os correios já não os deixa assim, nem a rede eléctrica nacional, nem os caminhos de ferro ou sequer a linha por onde lhes chega o telefone ou a televisão mais cara do que seria suposto caso a concorrência fosse efectiva.

 

Neste artigo do Público consegue-se perceber que a continuidade das respostas sociais não deixa de estar garantida só porque o Estado está menos presente. A sociedade tem, em muitos casos, capacidade para se fazer substituir a ele, dando uma resposta mais eficaz e aumentando a sustentabilidade de todos. E o Estado tem de ter a humildade para o reconhecer. O mesmo que, com maior facilidade e menos preocupação, pode acontecer noutras áreas para lá da social.

 

Se o Estado-social tem capacidade para se tornar mais leve sem que o país perca com isso, o Estado-empresarial ainda mais. E com um imperativo e urgência maiores.


publicado por João Maria Condeixa às 12:25
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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011
por João Maria Condeixa, em 18/8/11

Há famílias que vivem sempre em crise e que por isso adiam eternamente soluções de investimento que lhes aliviem as despesas correntes.

 

A família Estado - que às vezes se vai esquecendo que é descendente do Zé Povinho - é disso maior exemplo. Embora seja a maior proprietária de imóveis em Portugal, muitos dos quais resultantes de doações com indicações específicas do uso a dar, não foi capaz de encontrar tempo ou dinheiro para se mudar de um imóvel arrendado para um que lhe pertença. Por isso, ao mesmo tempo que arrenda monstros, tem por outro lado imóveis seus a cair ou subaproveitados. Claro que a coisa obriga a um investimento, a remodelações físicas, a obras e dores de cabeça, a empate de capital e a levantar pó e a arredar cadeiras. Mas pelo menos ficaria com uma coisa sua, arranjada e apropriada aos seus interesses, em vez de arrendar a terceiros deitando, como se costuma dizer, dinheiro à rua.

 

O retorno a médio-prazo, mesmo que fosse a longo, estaria garantido. Mas tal como aquelas famílias que eternamente vão adiando decisões deste género, o Estado vê-se, agora sim, com a necessidade premente de poupar e de cortar nas despesas mas com a impossibilidade ou falta de fundos para investir e o fazer.

 

Faltou-nos sempre visão de longo prazo. Por isso gastamos 57 milhões de euros por ano em imóveis arrendados. Ao próximo balão de oxigénio talvez fosse importante pensar nisto.


publicado por João Maria Condeixa às 11:25
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
por João Maria Condeixa, em 6/7/11

Portugal por não ter gás não pode dar-se ao luxo de ter uma estrutura estatal como aquela que vi em Moscovo. Mais do que uma questão ideológica trata-se de uma postura pragmática de sobrevivência. Daí que a extinção e as fusões de alguns serviços sejam tão importantes e prioritárias.

 

Só que estas ao acontecerem lançam um custo sobre a taxa de desemprego - que pode subir - e sobre as responsabilidades sociais do Estado - que podem aumentar - num momento em que, já por si, toda a conjuntura alimenta a tendência destes dois factores. Mas não fazê-lo hipoteca ainda mais o futuro.

É preciso, portanto, coragem, mas também olho cirúrgico para que o corte não origine custos superiores, sejam eles financeiros ou de funcionamento. Mas estimando a gordura que temos, arriscaria a dizer que dificilmente atingiremos carne aos primeiros cortes, por isso força!


publicado por João Maria Condeixa às 19:28
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por João Maria Condeixa, em 6/7/11

Visto de longe, o Museu Tetryakov em Moscovo parece uma grande superfície capaz de concorrer com o Continente da Amadora ou o Jumbo de Gaia, mas sem terreno para estacionamento. Também não tem à porta a azáfama de entra-e-sai domingueira e a falta de sacos de plástico cheios de compras denuncia que ali não vamos encontrar lineares repletos de latas de atum.

 

Lá dentro está o recheio de um Museu de Arte Contemporânea bastante bom e surpreendente - não tão bom quanto o Pushkin, mas bom - e um exército de trabalhadores. Ora, era aqui que eu queria chegar, o resto foi latim acessório, desculpem!

 

Atrás do balcão do bengaleiro, 7 pessoas - 7! -aguardam a clientela que escasseia. De tal maneira que essas 7 pessoas se debruçam sobre o único molho de casacos que peço para guardar, como se de um bolo de chocolate numa creche se tratasse. Ao longo dos corredores outros tantos funcionários - quase tantos como o nº de ovos Fabergé do Kremlin - vão zelando pelos quadros e pelas estatísticas de desemprego moscovitas, que calculo que sejam reduzidíssimas. Lá fora, na rua, deixámos em cada esquina um varredor do Estado a limpar à vassourada aquilo que uma só máquina faria em vários quarteirões. Varre, com certeza, para debaixo do tapete, a ideia que todo aquele monstro poderá não ser muito sustentável. Só que a Rússia tem gás. E por isso vai continuar a marimbar-se. Mas país que não tem gás, não tem vícios. Hope you get my point.

 

(continua...)


publicado por João Maria Condeixa às 09:29
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
por João Maria Condeixa, em 22/6/11

Meio mundo histérico de alegria com o exemplo dado por PPC, que é meritório. Há muito tempo que os portugueses não viam um gesto nesse sentido - dos políticos serem compartilhadores das dificuldades vividas - e por isso espantam-se e batem palmas efusivamente. Em 24 horas vêem um a andar de Vespa e outro a passar de "cavalo para burro". Sinceramente, Portugal precisava deste tipo de sinais.

 

Mas a mim ainda me falta perceber por que raio precisa o Estado que seja a Top Atlântico a tratar-lhe dos bilhetes, se a TAP até é sua!


publicado por João Maria Condeixa às 19:10
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Quarta-feira, 15 de Junho de 2011
por João Maria Condeixa, em 15/6/11

Andava eu na faculdade e Portugal nos primórdios da reciclagem quando num dia como outro qualquer fui enxovalhado por não saber fazer, tão bem quanto um chimpanzé que entretanto viria a aparecer nos anúncios televisivos, a separação das embalagens. Fui gozado, rotulado de retrógrado, irresponsável e criticado pela minha falta de pontualidade - nunca percebi esta parte da crítica. Será que a malta da Quercus é de uma pontualidade britânica? -.

 

Mas a verdade é que passado uns tempos lá lhes fui esfregar na fronha um jornal que dizia que a minha resistência à separação das embalagens não tinha sido tão ridícula quanto isso, já que o município em questão não estava preparado - por um problema burrocrático, embora tivesse contentores às corezinhas - para tratar o lixo separadamente. Ou seja, eles separavam aquilo que a Câmara fazia questão de juntar, antes de processar.

 

Eu, entretanto, fui corrigindo o meu pecado - embora admita que ainda me falta muito para ser um homem verde perfeito -, mas Portugal nem por isso. Continua, por problemas burocráticos, por indisponibilidade financeira ou porque fica bem para o momento eleitoral ou parece moderno, a pôr o carro à frente dos bois. Quantos projectos não sofrem do mesmo mal que este caso que vos mostrei?

 

Olhem para o exemplo do sangue que nos habituámos - e bem! - a dar e recolher, e que o Estado, por mero empecilho burrocrático seu - que dura há 10 anos! - não consegue separar e aproveitar. Gastam-se recursos na sensibilização e na recolha, mói-se a paciência a toda a gente, aflige-se meio mundo com um propósito benemérito de salvar a vida humana, mas depois, quando se passa a bola ao Estado, ele adormece de frente para a baliza escancarada.

 

Importam-se de ir ver se por igual burrocracia não acontece o mesmo aos órgãos doados?


publicado por João Maria Condeixa às 10:00
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Sábado, 30 de Abril de 2011
por João Maria Condeixa, em 30/4/11

Trabalhamos um ano inteiro no duro e no fim, quando preenchemos o IRS, aquele que ajudamos a sustentar ainda nos chama "sujeito passivo"!


publicado por João Maria Condeixa às 14:32
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Quarta-feira, 13 de Abril de 2011
por João Maria Condeixa, em 13/4/11

Alegando ter retido o dinheiro do IVA para pagar salários aos funcionários da empresa metalúrgica "Oliva", João Cebola, foi condenado em 1996 por abuso de confiança. Foi o primeiro empresário português a ser detido por fuga ao fisco.

 

Longe de mim dizer que o que se passa no MAI é exactamente igual. Até porque num é o IRS e no outro foi o IVA.


publicado por João Maria Condeixa às 16:22
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Terça-feira, 5 de Abril de 2011
por João Maria Condeixa, em 5/4/11

Os portugueses gostam de enganar o Estado, sobretudo quando for ele próprio a pedi-lo, para poder depois enganá-los a eles. Eu explico tamanha complexidade: ao formular uma pergunta daquela forma sobre os recibos verdes, o Estado está a pedir aos portugueses que respondam ocultando a verdade, considerando legal aquilo que é ilegal, para depois poder ser ele a ocultar a verdade nas estatísticas e pintar uma realidade bem mais risonha. É, pois, uma espécie de peneira comum e colectiva para a qual todos contribuímos para tapar o Sol. É o português no seu melhor.


publicado por João Maria Condeixa às 16:38
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por João Maria Condeixa, em 5/4/11

Os portugueses são uns beatos conservadores de dia, uns progressistas de pacotilha à noite e uns hipócritas a toda a hora. Só isso explica que apesar de orgulhosamente termos sido dos pioneiros na aprovação do casamento gay tenhamos agora reservas e pudismos "politicamente correctos" quanto à invasão da esfera privada de um casal gay ou heterossexual unido de facto, mas nenhuns se a esfera já for de um casal tradicional.

À pergunta "com quem dormiu no sofá a noite passada?" todos deverão responder à excepção do senhor gay aí ao fundo e a menina lésbica da primeira fila. Todos os outros façam favor de apresentar declarações o mais exaustivas possível.

 

(continua...)


publicado por João Maria Condeixa às 16:28
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