Quinta-feira, 30 de Junho de 2011
por João Maria Condeixa, em 30/6/11

Dêem uma folhinha de Excel com o cálculo dos custos de mão-de-obra aos que dizem que a redução da TSU não serve às empresas para ver se passam a perceber o que está em causa. Só para terem uma noção em quanto onera o Estado a empresa por trabalhador, antes de rejeitarem qualquer número que venha a ser avançado.

 

Isto já é antigo mas fica como exemplo:

 

A redução das contribuições para a Segurança Social em três pontos percentuais, nos trabalhadores com mais de 45 anos, permitirá às micro e pequenas empresas abrangidas (cerca de 200 mil) uma redução média anual de 331 euros por funcionário.


E se a empresa se desafogar, pode até reencaminhar esse desafogamento para o empregado, pode conseguir recrutar mais ou melhorar a sua competitividade para se manter, como se costuma dizer, na mó de cima! Têm a certeza que isto não serve a ninguém?

 

Mas como não é uma descida "gratuita", deverá ser bem acautelado o outro lado prato da balança. E é isso que está em estudo. Por isso, antes de se porem tão veemente contra - como vi ontem à noite a JAD - deixem essa rapaziada estudar, que há quem esteja concentradíssimo nesse assunto, sócios!


publicado por João Maria Condeixa às 09:30
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Sábado, 30 de Abril de 2011
por João Maria Condeixa, em 30/4/11

Trabalhamos um ano inteiro no duro e no fim, quando preenchemos o IRS, aquele que ajudamos a sustentar ainda nos chama "sujeito passivo"!


publicado por João Maria Condeixa às 14:32
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011
por João Maria Condeixa, em 19/4/11

Trabalha que nem um cão. Serve à mesa num pequeno restaurante, um café, quase, cujo nome não pronuncio, não vá um sindicato fechá-lo junto com a ASAE e eu ficar sem as suas iguarias. Diz-me que já teve um restaurante seu, mas que com a quebra de clientela, as avenças obrigatórias, as responsabilidades de empregador, os impostos e outras asfixias, fez as contas e preferiu vender e passar a trabalhar para outrém. Não se arrepende.

 

Foge à lei laboral para poder sustentar a sua família. "Doutra forma seria impossível comprar pão lá para casa". Assim, trabalha das 7.30h às 19h com pausa - não é hora, nem hora e meia - para almoçar. Mas também não se arrepende e todos os dias o vejo incansável e de bom humor.

 

Em traços rápidos percebe-se umas coisas com esta história: que o Estado educou mal os cidadãos, pois é raro cruzarmo-nos com aquele que não se queixa, que não reclama direitos, mesmo em época de crise apertada, em vez de ir à luta, ou que coloca a totalidade da culpa no Estado - e com isto não digo que ele não a tenha em parte -. Depois, percebemos que o Estado ajudou a arrasar uma empresa e postos de emprego graças à sua omnipresença e omniemprendedorismo. E por último, percebemos que o Estado, não deixando cada um decidir por si a sua capacidade produtiva, arrasta para um submundo paralelo uma classe trabalhadora que poderia dar a cara e sustentar os seus, fosse a lei laboral mais flexível e ainda assim compensadora para empregado e empregador.


publicado por João Maria Condeixa às 16:21
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Terça-feira, 14 de Setembro de 2010
por João Maria Condeixa, em 14/9/10

O emprego para a vida acabou. O curso que conduz a um emprego em específico, tal como ainda o conhecemos, também definha a cada ano. E isto assusta uma geração a quem obrigaram a atravessar o deserto da empregabilidade. Uma geração que pode estar perdida caso não entenda que não pode, nem deve, seguir os passos dos seus pais, ainda que estes os recomendem. Mas pensar, num momento em que o desemprego assombra cada esquina, em aumentar o grau de instabilidade, parece ser de loucos. Mas não é.

 

 

 


publicado por João Maria Condeixa às 11:39
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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
por João Maria Condeixa, em 2/9/10

O Dentista é um ser demente. Sim, vim de um há bocado e ainda estou revoltado estupefacto com aquele ser de bata branca e máscara à japonês que consegue ver beleza num escancarar de boca por nela descobrir, por técnicas que permitiriam salvar 33 homens no Chile, o mal de umas dores insignificantes que em determinado siso se resolveram instalar. Quem vê beleza nisto, é demente, insano, louco!

 

Ainda bem que os há, não me entendam mal, mas a verdade é que só um ser macabro consegue imaginar uma vida bela dedicada ao mundo das cáries e tortuosidades dentárias. Ninguém no seu perfeito juízo sonha em inalar para o resto da vida o mau hálito da velha que lhe abre a boca por dá cá aquela palha, ou em ver a esplendurosidade de uma dentição putrefacta como os campos minados de Angola e ficar contente por pelo menos não ter larvas. E menos ainda poderá alguém, na sua perfeita sanidade, ficar feliz por ver contorcer na sua cadeira ergonómica um corpo de alguém que, ainda que vivo, não consegue gritar por se ter tornado num depósito de brocas, perfuradoras e martelos pneumáticos, e a quem lhe resta apenas gemer para dentro e cravar as unhas roídas na enfermeira que sadicamente lhe vai sorrindo lá do alto. 

 

Isto é um exagero, pois claro. Mas há profissões que me deixam assim: ávido por perceber a beleza que nelas vê quem as segue.


publicado por João Maria Condeixa às 09:15
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Terça-feira, 10 de Agosto de 2010
por João Maria Condeixa, em 10/8/10
Ontem foi o dia em que as portagens morreram para mim. Até então vivi a imensa esperança de vir a encontrar um anjo da Victoria's Secret a pedir-me o talão, enquanto me perguntava de forma inteligente e simpática se podia voltar a passar por lá amanhã. Dirão que combinação tão perfeita é uma utopia. Dirão que a possibilidade de encontrar tal diva é microscópica e que a dela querer que eu lá voltasse nanoscópica seria. Mas eu vivia assim, na expectativa, sem via verde, e abrindo o sorriso à medida que me aproximava da cabine esverdeada.

 

Ontem apanhei um andróide rôxo de voz artificial, sem sensualidade nenhuma e que não me brindou sequer com o mau-humor atraente de quem está há horas a aturar rapazinhos que quando não encontram a tal ninfa, fazem género e deixam cair um lamentado "Boa tarde!". Após puxar da máquina o recibo, apercebi-me que o futuro era hoje e que nunca mais iria encontrar "a tal" numa qualquer portagem deste país.

 

Amanhã arranjo uma via verde!

 

Entretanto uns desejariam que esta evolução não se tivesse dado, com o objectivo de evitar despedimentos, esquecendo que foi por esse salto tecnológico que tantos outros empregos foram criados. O que hoje se destrói nascerá amanhã sob outra forma, noutro canto qualquer, desde que o país e as pessoas não percam o ritmo dos tempos, pois caso o percam, será bem pior!


publicado por João Maria Condeixa às 09:15
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Terça-feira, 3 de Agosto de 2010
por João Maria Condeixa, em 3/8/10

Agosto é o mês do emigra voltar a casa e rever os familiares e amigos. Mas o emigra mudou. E em vez de voltar em "ótomóvel" de marca alemã com galhardete do clube local no retrovisor e "naperón" da Ti Clotilde na chapeleira, entra em Portugal por meios aéreos com "troller Sam&SóNight" e muito mais discreto. Já não tem a pretensão de fazer uma casa nas Beiras com o resto dos azulejos da fábrica local que faliu - até porque se sentiria humilhado pelos projectos de José Sócrates - e nem sequer tem vontade de pôr um leãozinho de pedra a guardar-lhe o relvado e o menino que é incontinente desde tão tenra idade.

 

Já não sente essa vontade porque o emigra já não é o mesmo que, entre os anos 60 e 70, partia "prá França" . O emigra de hoje, para além de ser de outro estrato social e económico, é cada vez mais alguém que nada tem a provar perante os outros quando vai para o estrangeiro. Aquele que hoje parte, fá-lo porque o país não o conseguiu segurar e não porque o país não o conseguia vestir ou alimentar. É sinal que estamos melhor que há 30/40 anos, mas também é sinal que a nossa mão de obra mais qualificada e a nossa massa cinzenta buscam, cada vez mais, ir trabalhar para fora por não termos tecido empresarial que os segure por cá.

 

Ora um país que vê fugir os seus cérebros, que não produz braços técnicos - só os importa - e que tem uma elevada taxa de desemprego de licenciados, ainda não percebeu que tem um plano desfasado da realidade?

 

Em Agosto tenho cá - ainda que seja espalhados pelo país - grande parte dos meus amigos. A maioria, mais próxima, está emigrada: Suiça, Angola, Brasil, Bruxelas, Espanha, Inglaterra, EUA. A eles e aos outros como eles: Bienvenue à votre terra!


publicado por João Maria Condeixa às 15:55
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