Terça-feira, 14 de Junho de 2011
por João Maria Condeixa, em 14/6/11

Os portugueses não entendem Fernando Pessoa. Eu falo por mim e pela dificuldade que tenho em entender tudo o que dele vou lendo. Escapa-me. É triste termos tamanho génio sem que o compreendamos. Pior é com isso nos darmos por satisfeitos. Faz falta uma cultura pessoana, um motor que fomente a sua leitura e compreensão. E não a reclamem ao Estado:

 

Ontem ao entrar na Bertrand para comprar um qualquer livro passei pela estante da poesia sem que nada me saltasse à vista. Nem um único livro ou lembrete sobre o aniversário do poeta. A verdade é que muitas vezes o marketing falha onde mais nos faz falta. Nisso, o Google fez mais num dia que um grupo de professores numa década.

 

E com esta postura não é de estranhar que não o celebremos como devíamos ou que não o compreendamos. Enquanto isso o Brasil vai por ele se enamorando ao ponto de me espantar com o número de pessoas que o citam, conhecem e já o percebem. Por cá seguimos antes a máxima: casa de ferreiro, espeto de pau. 


publicado por João Maria Condeixa às 09:13
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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010
por João Maria Condeixa, em 17/9/10

Continuando a senda de encontrar os limites ao Estado - pelo menos o central. Não sou nenhum Livingstone para me meter em aventuras maiores - achei que era altura de ir até ao site do Ministério cuja detentora da pasta diagnosticou esta semana o colapso do Estado Social. O Ministério da Cultura acrescenta mais 25 organismos tutelados, mas desta vez e à parte - pelos menos descriminam e apresentam-nas - as fundações que apoiam e que são 12.

 

E numa delas até acabei por encontrar lá um nosso velho conhecido como presidente do Conselho de Administração: Manuel Pinho. Conhecem? Pois é, o senhor dos "pauzinhos" está pela fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva a divertir quem por lá passa e a suceder a António Vitorino. E com isto, nem me aventurei a ver as outras. Preferi voltar às somas.

 

Assim, volvidos apenas 4 Ministérios, vamos em 123 empresas/organismos públicos directos e 12 fundações conhecidas. Ainda há quem pergunte onde se pode cortar na despesa como se fosse algo extraordinariamente difícil?

 


publicado por João Maria Condeixa às 09:15
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Quarta-feira, 4 de Agosto de 2010
por João Maria Condeixa, em 4/8/10

Nunca gostei de ler Eça de Queiroz, muito embora reconheça na sua escrita todas as qualidades que lhe apontam. E viviamos bem assim, numa espécie de respeito mútuo.

 

Mas agora não há jornal ou revista que abra, "status" no facebook que leia, estação de metro que percorra ou embalagem de cereais que devore, que não tenha uma qualquer citação visionária sua mostrando a merda de situação em que o país se encontra. Na altura e desde então!

 

E esta visão queirosiana imposta, como se eu não soubesse ler o que se passa à minha volta, deixa-me a fervilhar de azia, pois já basta aquilo que como todos os dias em formato de notícias. Mas se for a única forma de garantir que alguns abrem os olhos, então continuem, que eu compro sais de fruta...


publicado por João Maria Condeixa às 19:20
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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010
por João Maria Condeixa, em 12/7/10

Digam lá se não tem piada ver quem durante o fim-de-semana acusou terceiros de "falta de liderança", de "ineficácia" e da responsabilidade por "constragimentos vários que dificultaram a acção da Direcção Geral das Artes" vir, na segunda-feira seguinte garantir que os cortes na Cultura, que há uma semana atrás tinha anunciado, e que depois acabou por recuar, de facto não irão é existir?

Digam lá se estas voltas e reviravoltas do governo socialista não são atitude dignas de um líder que prima pela eficácia, que sabe o que quer, e de quem tem uma acção fluída e não pode compactuar com empecilhos - so they called him, I trully ignore if he is one - como o Jorge Barreto Xavier?


publicado por João Maria Condeixa às 23:00
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Quinta-feira, 8 de Julho de 2010
por João Maria Condeixa, em 8/7/10

Não há semana em que o Governo não recue e que Sócrates não se contradiga. Em campanha eleitoral penitenciava-se de não ter apostado mais em Cultura e, tal foi a genuinidade com que bateu no peito, que quase todos acreditaram que se iria redimir desse pecado. Hoje recua, mas só depois de ter apresentado os cortes - que pelos vistos vão ser menores - justamente nessa área.

Claro que vai dizer que "o mundo mudou nesta última semana!" para justificar o corte e "que estão a fazer um esforço!" para fundamentar o recuo, mas em nada estas desculpas apagam a primeira frase factual deste post. E eu ia jurar que o país já está farto disso...

 


publicado por João Maria Condeixa às 11:49
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Quinta-feira, 22 de Abril de 2010
por João Maria Condeixa, em 22/4/10

A Editorial Presença torna-se a primeira editora a receber devoluções de leitores descontentes. Quem não tiver ficado satisfeito com a compra, caso ela se enquadre na iniciativa "Livros com Garantia", já pode devolver o livro à precedência.

 

Margarida Rebelo Pinto já terá comentado a notícia, disponibilizando um imenso armazém só para o efeito. Aguardam-se declarações de Dan Brown e de outros autores de livros versão "calhamaço", cujos leitores envergonhados revestem de capas brancas a fim de não sofrerem represálias ou zombarias enquanto andam de Metro.

 

Notícia via Amor nos tempos de Blogosfera

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publicado por João Maria Condeixa às 18:10
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Domingo, 14 de Março de 2010
por João Maria Condeixa, em 14/3/10

 

Tal como Álvares Cabral foi parar ao Brasil, foi por mero acaso que nas minhas navegações encontrei este clip - ou clipper, como teimam aqueles incapazes de pronunciar "Lidl" em vez de "Líder" - .

Mas não totalmente satisfeito com a descoberta fui à procura de mais e andei a explorar o youtube só em busca de Fernando Pessoa. Ao fim de uns minutos fiquei com a sensação que a Brasileira ganhava outro sentido para o poeta e que o povo do samba reclama para si bem mais que uma simples estátua de bronze: quer a obra, quer lê-la, entendê-la, elogiá-la e trabalhá-la.

Pena que o país que o viu nascer não persiga o mesmo. No dia em que Portugal conseguir entender este seu poeta - como tentam, sem metade da obrigação, tantos outros povos - chegará mais longe e talvez venha, à parte de ter em si todos os sonhos do mundo, a ser mais que nada.


publicado por João Maria Condeixa às 10:44
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Quarta-feira, 10 de Março de 2010
por João Maria Condeixa, em 10/3/10

Eram as manifs que faltavam sair à rua! O histerismo canichiano pró-animal em confronto com o embrutecido lado não champanhês da festa (à) brava! É das discussões mais pobres e feias. Das discussões onde a templa moderadora de pouco interessa estar presente, pois qualquer coisa que se pergunte a um dos lados vai sempre parar a esses vórtex intelectual que é a cassete formatada. De um lado toca o perpétuo Staying Alive com voz de cana rachada e do outro o Paquito Chocolatero de mão cheia na virilha!

São dois mundos que nunca se irão entender por muito que eruditos pintores e escritores se manifestem pró-touradas ou por muito que siliconadas gajas de madeixas loiras façam a apologia do animal. São duas facções insubornáveis e imiscíveis.

Mas o cenário existe, gira uns quantos milhares de euros - importante sobretudo para as zonas mais desterradas de Portugal - tem fortes raízes culturais e, estando tutelado pelo Ministério em causa, faz todo o sentido que seja reflectido pelo CNC.

Esta Ministra na mesma semana recebe dois "apoios" meus. E garanto-vos que não é pelos seus lindos olhos...


publicado por João Maria Condeixa às 23:31
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Sexta-feira, 5 de Março de 2010
por João Maria Condeixa, em 5/3/10

Em Farhenheit 451 é o Estado que persegue os livros, não quem os salva, como Gabriela Canavilhas quer fazer. Mas, antes assim. 

 

No entanto, à primeira vista aquilo que nos parece um crime e que deixa triste Manuel Alegre, é uma gestão de stocks tão natural como outra qualquer e que pertence estritamente à decisão dos privados, as editoras. Assim sendo, é legítimo esperar que os mecanismos de apoio sejam iguais aos existentes para quebras de outro género de actividade. É verdade, por exemplo, que o Estado apoia instituições que tratam da recolha e distribuição de bens alimentares pelos mais necessitados. E até devia apoiar mais e articular com as mesmas para que o desperdício fosse menor.

Mas se não o faz noutras áreas, como de resto é compreensível, não poderá estar agora a abrir um excepção que complicará o futuro? E quando as empresas de hardware, por exemplo, se lembrarem de reclamar ajuda para enviar PCs que têm em stock, mesmo abaixo do preço de custo, para o terceiro mundo?

 

Gosto da motivação e da preocupação desta Ministra que me tem vindo a conquistar e a surpreender pela positiva, mas há que tomar as devidas precauções para que não nos bata um mundo à porta.


publicado por João Maria Condeixa às 15:30
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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010
por João Maria Condeixa, em 23/2/10

Já está online a crónica que escrevi sobre Cultura para a Nicotina Magazine - o mais recente projecto de João Gomes de Almeida -. O projecto que engloba uma Editora e um portal de notícias de âmbito cultural decidiu arriscar as audiências e pedir-me umas linhas curtas. Aqui fica um aperitivo com dois "Vês". Vão, mas voltem:

 

(...) E a cada paragem pequena dos instrumentos precipitava-se nas palmas, na ânsia de ver o espectáculo terminado, ignorando os olhares reprobatórios e eruditos vindos do Leste. Para no fim, quase, enquanto os outros idiotas aplaudiam e clamavam por “Bravo!” e mais “Bravo!”, se evadir da sala com o raffiné habitual. 
No dia seguinte, voltava a pegar numa caneta de aparo e eles num escopro, martelo e na esfregona cravejada de lixívia.

publicado por João Maria Condeixa às 12:24
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Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
por João Maria Condeixa, em 9/2/10

Acabei por ver de relance a entrega dos prémios da Sociedade Portuguesa de Autores. Tinha convidados de honra nos bastidores, na plateia e pelas salas de uns quantos milhões de lares portugueses. Ainda assim tudo se passou como se de encher chouriços se tratasse! Apresentações a correr, anúncios dos prémios com ritmo de relatos futebolísticos, actuações de qualidade despachadas a toque de caixa, enfim, tudo o que de mais amador pode existir. Digno de uma qualquer festa da paróquia.

Infelizmente, se fosse para projectar 10 pequenas vozes de cana-rachada em vésperas de mudar de tom pela puberdade, a atenção, o detalhe e investimento teria sido maior. Valeu-nos a apresentadora não ser a Júlia Pinheiro nem o Goucha.

Mas que esperar de uma organização que coloca como categoria de abertura o prémio para "melhor filme"?

Da próxima vez façam favor de ver, pelo menos uma vez, uma edição dos Óscares e se possível de caneta na mão para apontar umas coisitas...


publicado por João Maria Condeixa às 00:54
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