Terça-feira, 9 de Agosto de 2011
por João Maria Condeixa, em 9/8/11

Perante a ameaça de uma nova crise mundial - se é que saimos da de 2008/2009 - , importa mais do que nunca reformar e reestruturar um país para se preparar para um embate na balança comercial com a diminuição das exportações. O que aí vem não é macio:

 

se por um lado sofremos cortes no crédito com os cortes no nosso rating e nos embrulhamos na nossa (in)sustentabilidade financeira, por outro passamos as passinhas do Algarve sempre que os outros sofrem cortes nos seus rating e diminuiem as importações, como comportamento de retracção económica.

Quando não se tem rating, não é líquido que a quebra de rating dos outros nos seja benéfica. Nem sequer para efeitos de "vingança bairrista".

O que aí vem não é mesmo macio.


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Quinta-feira, 14 de Julho de 2011
por João Maria Condeixa, em 14/7/11

Agora que todos percebem de economia e sabem, tão bem, avaliar os comportamentos das agências de rating, parecem esquecer-se que nos pusemos a jeito ao gastar para lá das nossas capacidades e ao ignorar a necessária estruturação da economia - foi mais apetecível assentar tudo em frágeis tijolos de serviços que nasciam que nem cogumelos -.

 

Não quero dizer que as agências não revelem um comportamento tendencioso, mas não podemos agora preferir tapar o Sol com a peneira e falar da federalização da União Europeia e de outras "refundações paradigmáticas" que a UE tem de sofrer ou de estratégias concertadas e de teorias de conspiração, para adiar ou ignorar, mais uma vez, aquilo que temos todos de fazer: mudar o estilo de vida.

 

Quando a vontade de mudar está emperrada, todas as adversidades são úteis aliados. E, ainda que as agências de rating possam estar num ataque concertado, não podemos esquecer que há quem as queira neste papel. Sempre ajudam a ficar tudo na mesma..


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Quinta-feira, 7 de Julho de 2011
por João Maria Condeixa, em 7/7/11

Só agora que somos "lixo" é que a União Europeia se lembrou de ajudar a reciclar a nossa imagem. O ecofundamentalismo do costume.


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Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
por João Maria Condeixa, em 27/6/11

A diferença entre o governo antecipar um novo plano de austeridade, face ao que está a acontecer na Grécia, e a PECmania em que tinha caído o anterior governo que de PEC em PEC ia tentando remendar a situação, está em 4 simples pontos:

 

a) antecipação da crise - o PS trouxe-nos até este ponto, em grande parte por ter ignorado a crise internacional. Esse não pode ser o caminho, pelo que há que agir de imediato face aos sinais que se vão colhendo.

 

b) execução - um dos calcanhares de Aquiles do governo anterior foi a incapacidade de execução das medidas a que se propunha. Ao não executar, deixaram que o problema se fosse agravando e diminuiram a sua credibilidade, expondo Portugal, ainda mais, à acção externa.

 

c) vontade de resolver em definitivo - cada PEC, cada remendo. Nunca se ia mais longe ou mais fundo - não confundir isto com aumentar impostos -, pelo que o remédio nunca era santo. Quanto mais este governo antecipar e tiver a coragem de reformar, mais curativo será e mais rápida a recuperação.

 

d) Receita - a solução sempre foi única: aumentar impostos ou cortar prestações, sem que nada em paralelo fosse feito para controlar a despesa. Esta antecipação das medidas de austeridade recaem, essencialmente, sobre a reforma estrutural do Estado e o pacote de privatizações. O tal ir "mais longe, mais fundo". É bem diferente.


publicado por João Maria Condeixa às 10:08
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Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011
por João Maria Condeixa, em 16/2/11

Eu vivo num país onde, entre a ida de Durão Barroso à Presidência da República e a chamada de urgência de Teixeira dos Santos ao Palácio de Belém, há tempo para um Primeiro-Ministro encher o peito e vangloriar-se com os números de 2010 ignorando por completo a retracção do último trimestre, que é prenúncio da recessão anunciada por muitos especialistas para o ano de 2011.

 

Como se as razões que levaram as outras 3 personalidades políticas a reunir não fossem diametralmente opostas ao seu optimismo. E enquanto José Sócrates quiser fazer este papel de quem não pertence a esta história, de quem está ali para lançar adornos, não há como levá-lo a sério. E também por isso deve ser contestado, pois esconder, atrás de uma cauda de matizes electrificantes, uma pateira de imundícies e dificuldades, também é mentir.

 

Querem exemplos das dificuldades que Sócrates teima em esconder? Taxa de desemprego atinge recorde histórico de 11,1%


publicado por João Maria Condeixa às 12:02
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Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010
por João Maria Condeixa, em 31/12/10

2010 foi o ano em que o mundo mudou a cada 3 dias. O ano em que um governo já de si inábil no cumprimento de promessas eleitorais - José Sócrates disse-me que prefere o termo "objectivos" - passou a navegar sem rumo, sem cumprir sequer o que dissera 48 horas antes. Um ano cavalgado por PEcs sucessivos: um em Março, que rapidamente se mostrou insuficiente; outro em Maio, que teve a colaboração do PSD e que se propunha mais adequado à realidade difícil que Sócrates teimava em não ver, e por fim um terceiro, já mais austero - o PEC III - cujos resultados estão ainda por conhecer e que, tal como noutros anos, serão habilmente escamoteados ou adiados: ou já não se lembram das sucessivas revisões do défice orçamental no final de 2009?

 

2010 terá sido o ano em que Portugal passou a ser teleguiado por Bruxelas. Ainda que ao retardador!


publicado por João Maria Condeixa às 10:59
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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010
por João Maria Condeixa, em 14/12/10

Quinta-feira passada no BCP não pagaram as reformas a quem lá as foi tentar levantar. Segundo o banco, por falha informática. Passados dois dias não deixavam levantar açúcar nos hiper e supermercados sem que existisse um racionamento, graças, segundo os responsáveis, aos biocombustíveis - aqueles que são sempre responsabilizados em anos de subida, mas nunca lembrados como preciosos sorvedouros em anos de descida -.

 

A desculpa utilizada é irrelevante quando aquilo que lhe poderá estar subjacente é a falta de crédito que poderá ter obrigado uns a juntar "uns milhões" durante mais um dia, ou outros a não conseguirem responder à procura. Poderão ser desculpas de um país que parece estar preso por fios e prestes a receber a faixa de bancarrota a qualquer momento.

Deve faltar pouco para, em frente a lineares de supermercados vazios, se verem donas-de-casa estéricas envergando cartazes dizendo: "FMI faz-me um filho!"


publicado por João Maria Condeixa às 12:36
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010
por João Maria Condeixa, em 13/12/10

O mundo vive de mitos urbanos e foi um deles que levou a que António Costa Pereira tivesse de recorrer a partidos políticos, Governo, Presidência da República - de quem durante dois anos levou sopa e não foi sobras - para pôr em prática a sua ideia de distribuir as refeições sobrantes de cantinas e restaurantes pelos mais necessitados. Dizia-se que isso não era possível por causa da Lei de Saúde Pública e do seu braço armado, a ASAE. Afinal, não era bem assim e até esses se mostraram disponíveis para promover e pôr em prática tão simples gesto, mas que demorou anos a concretizar-se.

 

Foi preciso vir a crise para a coisa andar. De repente passámos de um encolher de ombros para uma prioridade nacional. Em Lisboa a Moção do CDS-PP vingou em sessão de Assembleia e de Câmara. Cavaco já se pronunciou e não tardará para que a ideia se estenda a todas as autarquias do país. Pelo meio ficou a ideia socialista de criar uma "agência" para controlar e zelar pela operacionalidade da coisa - imagino quantos administradores, directores e amigos não levaria -. Felizmente os tempos vão sendo outros e houve quem falasse mais alto e conseguisse livrar o projecto das mãos sorvedouras e inoperantes do Estado Central para o colocar mais próximo do terreno e de quem tem capacidade para o fazer, quase sem custos.

 

Cabe agora às Câmaras e Juntas de Freguesia darem o apoio necessário e mostrarem que o aumento de autonomia lhes assenta que nem uma luva, tal como reclamam. A ver vamos. Há quem bem precise. A António Costa Pereira um sentido obrigado! Portugal precisava de mais cidadãos do género.


publicado por João Maria Condeixa às 09:15
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Terça-feira, 9 de Novembro de 2010
por João Maria Condeixa, em 9/11/10

Enquanto o presidente chinês reunia com Sócrates e prometia ajudar Portugal a recuperar da crise económica, a Primeira-Dama Chinesa passeava por Lisboa. Com a sua comitiva trataram de comprar tudo o que viam, com especial carinho pelo artesanato português que irão seguramente copiar, replicar, produzir a melhor preço e tornar a sua importação extremamente apetecível. Por isso, não estranhem se o próximo Galo de Barcelos que virem numa loja Lisboeta disser "Made in China".

 

Com esta brincadeira quero apenas dizer que cada um tira o que pode destes encontros. Nem Portugal, nem China nasceram ontem e comprar dívida pública não é ainda um desporto nacional chinês, nem um dos mandamentos de caridadezinha de bairro fino de Pequim, pelo que é um negócio como outro qualquer, não devendo por isso ser visto como uma parte da salvação nacional, nem, por outro lado, como um acto vampiresco.

 

A China aproveitar-se-á das fraquezas dos países para se impulsionar o mais que possa. E o seu peso mundial, depois da crise, pisará severamente os calcanhares aos EUA que, apertado na sua posição de líder mundial, usará as instituições que partilha com a UE, como por exemplo a NATO, mais do que a sua capacidade financeira, para manter a sua hegemonia.

 

E a Europa, enquanto anciã da diplomacia, tirará, da relação competitiva EUA vs CHINA que, como há tempos disse Obama, moldará o Séc XXI, tantos outros dividendos que agora não estamos a medir. Afinal, quem está a aproveitar-se de quem?


publicado por João Maria Condeixa às 09:45
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010
por João Maria Condeixa, em 13/10/10

O resgate dos mineiros chilenos em directo. Por cá, em directo, só mesmo o enterro dos portugueses.


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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010
por João Maria Condeixa, em 11/10/10

Querem ver que afinal aqueles espiões já não vão para o Líbano?  Crise pode levar a cortes drásticos na actividade das "secretas" em 2011.

 

Ainda bem que o Público põe entre aspas a palavra "secretas". É que depois do anúncio feito por Santos Silva e desta notícia que deixa de fora dois ou três nomes e a confirmação de que aquele dono da mercearia portuguesa em Teerão é de facto um espião português, pouco falta para virem com um sindicato reclamar por melhores condições de trabalho e os passarmos a conhecer a todos.


publicado por João Maria Condeixa às 13:37
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010
por João Maria Condeixa, em 6/10/10

Hoje já ninguém se lembra que isto é uma República ou que podia ser uma Monarquia. Só se lembram que está uma merda!


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Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010
por João Maria Condeixa, em 4/10/10

Gosto da forma como os comentadores e cronistas em geral apelidam as medidas do governo de "draconianas". Fazem-no agora, como há 4 meses atrás e pelo que escrevem, pela falta de esperança que têm na coisa - como é normal e compreensível - preparam-se para fazê-lo novamente daqui a outros tantos meses.

 

A esta hora deve andar o senhor a dar voltas na tumba cada vez que usam o seu nome em vão. É que "às leis" não basta escrevê-las.


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Domingo, 3 de Outubro de 2010
por João Maria Condeixa, em 3/10/10

 

Não fui aos U2. Não fui, nem devo voltar a tentar ir a nenhum concerto dos irlandeses. Sou o que se chama um traumatizado: há um ano e meio, com bilhetes comprados para o avião e para o concerto de Barcelona, tive de cancelar tudo a três dias de partir. Daí que não tenha sequer pensado em arranjar uma entrada e tão pouco tenha inveja daqueles que ontem e hoje vão a Coimbra bater o pé.

 

Mas nem por isso me tornei num daqueles moralistas da censura que, da esquerda à direita, ao mínimo vislumbrar do magote de gente que comprou bilhetes para o concerto, abre a boca para dizer: "..e ainda dizem que estamos em crise!".

 

Dos pseudo-liberais de direita, aos  falsos anarcas de esquerda, passando pelos libertários-de-coisa-nenhuma, encontramos sempre quem tenha a mesquinhez de largar um petardo desses, esquecendo que as suas prioridades podem não ser as de outros e que quem comprou um bilhete para os U2 poderá ter liberdade financeira para isso e muito mais, ou então optou por cortar noutras coisas que não lhe fazem falta para completar a sua felicidade, como lhe fazem os U2 ou outros rouxinóis do género.

 

E quem comprou esses bilhetes com os olhos da cara, talvez não retire de uma camisa Ralph Lauren, de um  charuto de Havana ou de uma prestação mais elevada por outra assoalhada, nada mais que o que retira de uma camisa da H&M, de um  simples Marlboro, ou de um arrendamento modesto e por isso talvez opte por estas extravagâncias.

 

É bem verdade que vivemos - ou pelo menos vivíamos, não sei se depois de Sócrates haverá hipóteses para isso - numa época de consumismo desenfreado, mas ainda assim cada um sabe de si.


publicado por João Maria Condeixa às 16:15
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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010
por João Maria Condeixa, em 17/9/10

                                  _________________________________________

 

É o traçado do futuro TGV, a via que nos "ligará à Europa", que irá ser feita em tempos de franca crise e que em nenhum dos extremos tem Lisboa ou Madrid. É um segmento de recta no meio de uma folha branca. A road to nowhere.

 

PS - consórcios espantados com a quebra de promessas por parte do governo. LOL, só pode!


publicado por João Maria Condeixa às 10:30
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Real Constituição da República do Cáustico
Leia atentamente este folheto antes de tomar a constituição como sua.
Caso tenha dúvidas, consulte o seu médico, farmacêutico ou constitucionalista de família.
Em caso de emergência:
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