Quinta-feira, 8 de Abril de 2010
por João Maria Condeixa, em 8/4/10

Os tempos são duros, as taxas de insucesso matrimonial grandes - muitas vezes sem razão aparente - e as incertezas e instabilidades - em que importa incluir as de carácter emocional - vão criando egoísmos que se revelam mesmo naqueles que nobremente dão a mão ao próximo por via da adopção.

 

Se por ventura estes egoísmos parecem falsear o altruísmo, é bom por outro lado que existam, pois só quem adopta sabe a matriz a conceber para evitar percalços, que mesmo que naturais, só serviriam para aumentar o grau de trauma nestas crianças. Há portanto que minorar essas hipóteses. E os pais adoptivos acabam por filtrar a sua escolha tentando alcançar para si e para essas crianças o enquadramento mais "normal" que lhes permita perspectivar a estabilidade desejada.

Daí que seja perceptível, que um casal branco opte por adoptar uma criança branca, preferencialmente. Não se trata de racismo. Um casal preto teria a mesma atitude para uma criança preta. É a busca pela naturalidade, é uma tentativa de aproximação à harmonia biológica. Pode soar errado, pode o tiro de escolha sair pela culatra, mas consegue-se perceber a explicação para o facto. São fugas ao conflito: as mesmas que existem nos filtros que os pais adoptivos traçam quanto a crianças doentes, violentas, problemáticas ou simplesmente mais velhas.

É egoísmo, porque estão a pensar em minimizar sobretudo as suas dores e só depois as da criança adoptada. Mas é um egoísmo que é perceptível e pode até evitar outros danos sobre a dita criança.

 

Importa pois, para aquelas que vão ficando fora do padrão de adopção, criar mecanismos que permitam ultrapassar os traumas e prepará-las para a vida adulta fora de uma família adoptiva. Há que lhes criar um projecto de vida o mais próximo possível da normalidade. Há que lhes mostrar que nada está perdido e que mais à frente têm um mundo para ganhar. Crianças dadas para a adopção haverá sempre. Crianças que atravessam o processo sem serem escolhidas também. Resta-nos - tão ou mais importante - saber criá-las sólidas para o que depois virá.


publicado por João Maria Condeixa às 23:48
link do post | Please be gentle

2 comentários:
De Jorge Soares a 9 de Abril de 2010 às 14:57
Diz que não é racismo?.. quantos casais conhecem que tenham adoptado?, ou que sejam candidatos?, já falou com algum?, já lhes perguntou as motivações? acredite, quando fizer isso, vai perceber que está enganado.

Adoptar é um processo complexo, não tem nada a ver com passar uma gravidez de 9 meses e ter um bebé.. Uma adopção é um processo em que de um dia para o outro entra um estranho pela casa dentro e veio para ficar. E acredite em mim, não importa se o estranho é branco, preto, mulato, se tem 1 ano ou 10... é igual de complicado. As pessoas querem acreditar que uma criança pequena e branca torna o processo mais fácil... não sabem como estão enganadas.

Eu conheço muitas crianças adoptadas, tenho duas cá em casa..e conheço muitas mais, e acredite, conheço crianças negras que foram parar a um casal branco e são filhos exemplares,e conheço crianças brancas e perfeitinhas, que são o terror dos pais e das escolas.

Eu sou da opinião que não deveria ser possível colocar restrições de idade ou raça, é claro que respeito quem quer o bebe branquinho e de olhos azuis, até tento entender as motivações.. mas acredite, quando começamos a ouvir as pessoas falarem.... quando ouvimos as desculpas.. os motivos.. na maioria das vezes.. é racismo sim.

Jorge Soares


De João Maria Condeixa a 10 de Abril de 2010 às 16:40
Conheço alguns casos, mas com as quais nunca abordei o tema por este prisma. deixo-lhe esta resposta:
http://republicadocaustico.blogs.sapo.pt/51560.html
São critérios resultantes do medo, que até podem ser infundados ou gerar, como disse, tiros pela culatra, mas que são compreensíveis.


Comentar post

Real Constituição da República do Cáustico
Leia atentamente este folheto antes de tomar a constituição como sua.
Caso tenha dúvidas, consulte o seu médico, farmacêutico ou constitucionalista de família.
Em caso de emergência:
jcondeixa@hotmail.com
Posts recentes

Pulling the plug and full...

OE2012: do corte na despe...

Curto rescaldo da Madeira

Na Madeira

O fetiche do voto do betã...

A 18 cêntimos a acção (3)

A 18 cêntimos a acção (2)

A 18 cêntimos a acção

Em entrevista comparada

Alguém me explica este li...

Últimos comentários
Hmmm é pena que o blog tenha acabado :(
quanto mais a deleora só isto era um poste da edp ...
Cambada de antropomorfistas d'electrõesJá agora eu...
Durante uns bons anos - 5 pelo menos - tb fui ague...
Eutanasiar um blogue...eu sei o que custa manter u...
entrapolítico privado num tem né?Mas se todo o hom...
Oi muito thanx! amei re-ler essa publicação é engr...
é que não apanham pó....a desvantagem é que desapa...
mais comentados
Diário da República
2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


Temas

todas as tags

subscrever feeds