Quarta-feira, 31 de Março de 2010
por João Maria Condeixa, em 31/3/10

 

Enquanto o novo líder do PSD vai ajeitando a cadeira na São Caetano à Lapa, muito se escreve sobre ele. Na rua dizem que é bonito. Isso é-me tão relevante como as actividades lúdicas tidas por Clinton para a definição do seu mandato. Isto é, nada. Ainda assim, inegavelmente, essa qualidade física, por si, já lhe terá rendido simpatias, uns piropos mais ousados e quem sabe uns votos surdos, daqueles que não ouvem e que apenas ligam ao que vêem. Resumindo, o aspecto joga a seu favor.

 

Outros dizem que é parecido com Sócrates. Epíteto mais nefasto é difícil de encontrar, mas fazem-no por associação a um perfil "mais plástico". O que tendo em conta a incompreensível, mas real tendência de voto dos portugueses, pode muito bem ser uma mais valia, infelizmente. Mas aqui Sócrates, pese embora a sua desonestidade intelectual - ainda por avaliar em PPC -, leva vantagem. Aliás, no dia em que Sócrates cair será muito mais pelas patranhas e mentiras que foi largando pelo ar, do que pela falta de profundidade ou capacidade política.

 

Dizem que Pedro Passos Coelho irá unir o partido. Enganam-se! O que une o PSD é o poder e só quando o animal enfraquecido que estiver no governo aparentar sinais de último fôlego, é que, tal necrofagia na savana, se aproximarão todos para o festim numa grande reunião. Quem lá estiver no momento receberá o título de "O Unificador", pelo que estes 61% de Pedro Passos Coelho talvez sejam mais prenúncio da falta de saúde do governo PS do que representativos da união social-democrata conquistada pelo recém-eleito.

 

Dizem que quem ficou com o trabalho facilitado foi o CDS. Tenho a leitura contrária. Rangel arregimentava os mais velhos, os mais ortodoxos do PSD, com ele identificavam-se sobretudo aqueles que representam uma faixa etária e social mais fidelizada ao partido laranja. Sobraria, pois, espaço para o CDS-PP capitalizar votos nas camadas mais jovens, nas famílias recém-formadas, nos empresários mais recentes, naqueles que não estão enraizados na máquina e no espírito laranja. PPC, aparentemente, promete alcançar esse espaço, até porque o outro mercado - por muito que agora esperneie com a sua eleição - já lhe está assegurado clubisticamente. Resta perceber se a massa partidária lhe permitirá o distanciamento suficiente para construir uma alternativa efectiva aos Socialistas, como até aqui tem feito o CDS-PP, e assim seduzir os descontentes com o rumo que temos seguido ditado pelo bloco central. Não falo de ser apenas outra opção. Falo de ter outro projecto para Portugal. E para isso julgo que PPC nunca conseguirá autorização para construir.


publicado por João Maria Condeixa às 10:06
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