Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010
por João Maria Condeixa, em 12/2/10

Desculpem a demora em postar, mas não julguem que fiquei detido ou que fui vítima de carga policial. Isto ainda não chegou a tanto. Fui apenas tomado pela falta de tempo.

Mas adiante, que o tempo continua sob pressão (acho que lhe devem ter colocado uma providência cautelar). A reter da manifestação:

 

A esquerda e a direita uniram-se, não só nas mais de 9000 assinaturas, mas também numa ida à rua, o que de si espelha muito sobre o descontentamento generalizado que se vive em Portugal, não tanto sobre as políticas (já ninguém se lembra do governo governar) mas mais sobre o desnorte em que se encontra o país e que é agravado diariamente por história rocambolescas de tentáculos maliciosos.

José Sócrates já teve de tudo na rua: professores aos magotes, camionistas de barriga farta, proprietários da bela da fartura, rastafaris e apologistas do homem livre, defensores do casamento gay, doutrinários da família tradicional, funcionários da coisa pública que pela primeira vez não aproveitaram para ir ao Corte Inglés, militares e polícias, cuspidores de fogo, ursos amestrados e, inédito em Portugal, manifestantes de fato, gravata e sapato de berloque. O desfile de personagens pode até parecer para rir, mas tanta diversidade só tem um significado: a desilusão é geral.  

Perante quase todos, José Sócrates, recuou. Naqueles que avançou, baralhou e voltou a dar. Assim vai Portugal...

 

 

 

 

vídeo: fabrico caseiro do 31 da Armada

 

 


publicado por João Maria Condeixa às 14:34
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3 comentários:
De francisco da costa a 12 de Fevereiro de 2010 às 22:34
Não levaste mas podias dizer que alguém te tinha dito que o Sócrates, ao balcão de uma pastelaria, tinha declarado que devias levar com uma carga policial, só para te calar. A seguir escrevias um texto piadolas (hoje elevado ao puro exercício de reflexão política) e pedias a um qualquer jornal com boa tiragem para publicar. Sem visão para o negócio haviam de recusar. A seguir ligavas à amiga Zita (a do PSD mas isso não interessa para nada) e tratavas de juntar umas quantas reflexões da mesma índole. Livro com sucesso garantido. Com sorte e se metesses outros tipos na história podia ser que algum, mais zeloso com os seus direitos enquanto indivíduo (veja-se bem o egoísta), tratasse de te dar uma providência cautelar que é coisa bem menos dolorosa que uma carga de cavalos e muito mais rentável. Era uma segunda edição garantida. Juntavas uns amigos do PSD e do CDS mais a Moura Guedes (em comum têm que não perdem uma boa oportunidade para tratar o Sócrates abaixo de cão). A seguir ias jantar com ar triunfal ali à Trindade e podias pedir aquelas sapateiras como extra. Estavam criadas as condições para juntar na rua (a democrática rua) esquerda e direita, vendedores de fartura e maluquinhos da boboesfera a clamar por mais liberdade, resolvendo assim aquela patetice que foram os resultados das últimas legislativas e castigando todos os idiotas (estás a ver a proporção na AR?) que insistem em votar no Belzebú. Consigo comover-me com a imagem de todos pela liberdade, de mãos dadas, a cantar o "Imagine".
Entretanto e após o movimento de repressão que de certeza a coisa ia gerar sempre podias ir para o Parlamento Europeu (cá fora que lá dentro só entram tipos que foram eleitos por uns anos para serem deputados europeus) e gritar que Portugal é uma democracia formal e que não existe liberdade de expressão, pedindo asilo político logo a seguir.
O pior é que isto pode acontecer a qualquer um. Foi-se tão longe nesta asfixia democrática que hoje és tu, amanhã poderei vir a ser eu. Onde é que isto irá parar? Uma verdadeira caixa de Pandora.
Nota: qualquer tentativa de responder a esta séria análise política e social por meio de qualquer tipo de humor não será tida em consideração. Permito a ofensa, mesmo à minha santinha mãe, porque não quero inibir ninguém de se exprimir livremente.


De João Maria Condeixa a 13 de Fevereiro de 2010 às 14:41
Para quem critica a análise política piadolas até tens jeito para a coisa...e ainda bem, pois deve ser cada vez mais dificil defender JS sem ser por aí! :) abraço!


De francisco da costa a 14 de Fevereiro de 2010 às 22:36
Queria testar e já percebi que me safo para nao destoar no debate. Mas no registo habitual encontras-me no www.oquatro.blogspot.com. Directo, factual, objectivo e inequívoco. Ou pelo menos a tentar. Mas isso tu já sabes. E defender o Sócrates, claro. Mas acima de tudo a defender que a rua não substitua resultados eleitorais. Nem se propaguem inuendos. Sem piadolas.


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